Qualcomm quer US$31 milhões da Apple por suposta infração de patentes

E cá estamos nós de novo com os mais recentes desdobramentos da batalha judicial entre Apple e Qualcomm — agora, diretamente de San Diego (Califórnia), onde está sendo julgado mais um processo da gigante de microchips contra a Maçã e as audiências estão correndo soltas.

A mais nova informação, vinda diretamente da CNET, dá conta de que a Qualcomm estabeleceu o valor que pedirá à justiça como reparação de danos por parte da Apple: US$31 milhões, ou cerca de R$120 milhões. O valor corresponde a US$1,20 por cada um dos iPhones despachados pela Apple que, segundo a empresa, infringem suas patentes.

O montante, segundo a Qualcomm, foi calculado com o auxílio do economista Patrick Kennedy, que compareceu à corte de San Diego como testemunha de acusação; ele levou em conta iPhones vendidos de julho de 2017 em diante com modems da Intel. Como bem se sabe, a Apple começou a fazer a transição para peças da Intel nos iPhones já em 2016, e os modelos mais recentes da empresa utilizam somente esses modems.

Os danos, segundo a Qualcomm, se referem à (suposta) infração de três patentes:

  • Uma que permite que o smartphone se conecte rapidamente à internet logo após ser ligado;
  • Uma que lida com o processamento de gráficos e a bateria do aparelho;
  • Uma que permite que os aplicativos do aparelho baixem dados mais facilmente dividindo o tráfego entre o processador e o modem.

Naturalmente, para uma empresa multibilionária como a Apple, um pagamento de US$31 milhões não passa de um troco. Ainda assim, a Maçã deverá lutar com unhas e dentes para escapar da condenação — não pelo prejuízo em si, mas porque uma decisão do tipo abriria um precedente para outras consequências, possivelmente piores, em outros processos rolando ao redor do mundo.

Testemunha contraria Apple

No nosso último artigo sobre o caso, falamos sobre o imbróglio envolvendo Arjuna Siva: o engenheiro, quando trabalhava na Apple, teria sido — segundo a Maçã — o principal inventor de uma das patentes citadas pela Qualcomm; a fabricante de chips teria, posteriormente, ignorado sua contribuição e registrado a patente sem o seu nome.

Isso, claro, era a versão da Apple. Depois de uma semana de indefinições se deporia ou não, Siva finalmente compareceu à corte para compartilhar sua versão da história, e ela não bate exatamente com a da Maçã: segundo o engenheiro, ele realmente participou da criação da tecnologia, mas não se considera inventor dela.

Ele afirmou que ficou “surpreso” e “chateado” quando descobriu que a Qualcomm tinha registrado a patente sem o seu nome, mas que, ao mesmo tempo, sentiu-se orgulhoso:

É algo que eu relembro com carinho. Eu era um garoto que tinha saído há dois anos e meio da faculdade e foi uma coisa importante para mim.

O testemunho, portanto, não é exatamente favorável para nenhuma das duas empresas — enquanto a Apple colocava Siva como inventor da tecnologia, a Qualcomm afirmava que ele não teve qualquer tipo de contribuição no processo.

Ficamos aguardando os próximos capítulos dessa história.

via Apple World Today, AppleInsider

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