Reportagem traz bastidores do GarageBand e detalha obsessão da Apple por detalhes

Recentemente, a Apple comemorou os 15 anos do GarageBand com uma retrospectiva destacando os momentos mais marcantes do software. Agora, para marcar novamente o aniversário do aplicativo de produção musical da Maçã, a Rolling Stone publicou uma reportagem bem legal trazendo detalhes dos seus bastidores e algumas curiosidades interessantes.

Segundo a autora da matéria, Amy X. Wang, essa é a primeira vez que a Apple permite que “elementos externos” entrem nos seus laboratórios do GarageBand. É compreensível: desde a sua apresentação, em 2004 — quando Steve Jobs afirmou que o objetivo do software era “democratizar a produção musical” —, suas habilidades vêm sendo apuradas de uma forma que vários artistas do primeiríssimo time usam o app rotineiramente como parte do seu processo criativo/profissional.

Essa sempre foi a ideia que motivou a criação do GarageBand, aliás. Como contou o vice-presidente de marketing global da Maçã, Phil Schiller:

O GarageBand surgiu em 2004 como um experimento do que nós conseguíamos fazer com computadores. Mais para trás, quando estávamos trabalhando no primeiro iMac e pensando em como o mundo estava para mudar, nós nos inspiramos na ideia de um novo tipo de software que conectasse todas as coisas que estivessem para aparecer. Talvez algum dia o próximo John Lennon descubra seu talento usando o computador que ganhou ainda criança no Natal.

Levando essa filosofia ao último nível, os “laboratórios musicais” da Apple, localizados num prédio anônimo a poucos quilômetros do Apple Park, passam semanas tentando capturar perfeitamente cada nota de cada instrumento. Um exemplo particularmente significativo é o do contrabaixo americano:

Na reprodução digital de um contrabaixo americano, o músico no estúdio toca uma nota e prende a respiração por sete segundos para garantir que não há qualquer ruído adicional na gravação enquanto o som se propaga pelo ar (os engenheiros criaram um app personalizado para gravar a duração precisamente). Ele repete esse processo, então, em várias posições de dedos, volumes e pressões, dia após dias. Depois de esgotar as possibilidades de cada instrumento, a equipe se debruça sobre as centenas de gravações para escolher as melhores. Quando adicionaram uma série de instrumentos do leste asiático recentemente, os engenheiros consultaram designers ao redor do mundo para escolher a cor certa da madeira e a fonte correta para que um guzheng chinês fosse o mais autêntico possível.

GarageBand para iOS

Os avanços no GarageBand são tão notáveis que, mesmo não sendo um produto declaradamente profissional (a Apple tem o Logic Pro, que custa US$200, para as tarefas de alto nível), ele é utilizado por vários artistas rotineiramente. Como afirmou o produtor musical Mike Elizondo:

Algumas pessoas fazem demos tão boas no GarageBand que elas trazem algo aqui e eu falo “nós podemos usar 80% disso na gravação final, se você quiser”. Algumas vezes um artista trouxe um vocal gravado no GarageBand somente com um microfone de laptop, e soa tão bom. Skylar Grey faz muito isso. Alex Greenwald, do Phantom Planet e do Phases… eu fiz uma gravação com ele uma vez em que pelo menos metade das coisas tinham sido feitas no GarageBand.

Outros artistas de primeiro time, como Rihanna, Radiohead, T-Pain, St. Vincent, Fall Out Boy e Kendrick Lamar, utilizam o GarageBand para uma série de propósitos — seja rabiscar a ideia de uma música, produzir uma gravação final ou mesmo lançar samples na internet para que fãs e DJs “brinquem” com as músicas.

Schiller dá a nota do que ele espera que vá ser o elemento fundamental no progresso do GarageBand: aprendizado de máquina. Ele espera que as técnicas ajudem o usuário a realizar as tarefas mais rapidamente e de forma mais precisa, mas — como era de se esperar — não quis elaborar o pensamento.

Parece promissor, não?

via AppleInsider

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