Apple remove faixas “controversas” do Apple Music na China; governo americano repudia

No fim do mês passado, a Apple se viu envolvida numa pequena polêmica quando se descobriu que os Macs vendidos na China tinham, a partir daquele momento, uma modificação a nível de sistema que os impedia de exibir ou digitar o emoji da bandeira de Taiwan — simbolizando uma espécie de censura do governo chinês aceita pela Apple. Agora, um outro assunto da mesma ordem engoliu a Maçã.

No início da semana, jornalistas chineses perceberam que a versão local do Apple Music estava removendo algumas músicas, digamos, polêmicas — mais precisamente, canções pró-democracia e denunciando (nominal ou sutilmente) o Massacre da Praça da Paz Celestial e a opressão do Partido Comunista da China.

Explica-se: em 4 de junho de 2019, o massacre — que é lembrado pela icônica imagem (acima) do rapaz em frente aos tanques e resultou na morte de centenas de civis — completará 30 anos, e grupos ativistas chineses usarão a data para ressoar a luta pela liberdade, democracia e o fim da corrupção na China. O governo, claro, não está muito satisfeito com isso, e ordenou a retirada das músicas.

A observância da Apple à orientação atraiu críticas do mundo inteiro. A diretora da divisão chinesa da Human Rights Watch, Sophie Richardson, classificou a atitude da Maçã como “espetacularmente covarde, até para os padrões da Apple de Tim Cook”. Yaqiu Wang, pesquisador da mesma organização, afirmou:

Ao remover uma canção que se refere ao Massacre da Praça da Paz Celestial, a Apple está participando ativamente das ações do Partido Comunista Chinês que pretendem apagar da memória coletiva as violações colossais cometidas contra o povo da China e reescrever a história.

As reações contrárias vieram também do outro lado do mundo. O senador americano Marco Rubio opinou ao The Verge que acha “vergonhoso ver uma das empresas mais inovadoras e influentes do país apoiar as iniciativas de censura” de Pequim, enquanto a representante Cathy McMorris Rodgers lamentou que a Maçã estivesse perdendo a chance de ser uma voz mais forte pela liberdade no mundo.

O assunto é extremamente espinhoso: a Apple se gaba de ser uma grande promotora da liberdade, da diversidade de opiniões e da inclusão social em suas operações, mas, ao mesmo tempo, não parece ser uma boa ideia (do ponto de visto das finanças, ao menos) peitar o governo chinês — ainda mais numa época em que sua posição na China, o maior mercado consumidor do mundo, está tão frágil.

Que situação…

via The Verge

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