Cinco anos depois: será que a aquisição da Beats valeu a pena?

Há cinco anos, a Apple anunciava a sua maior aquisição: a compra da Beats Electronics por US$3 bilhões. Naquela época, os negócios da fabricante de fones de ouvido e alto-falantes estavam em alta, mas desde a aquisição, algumas turbulências nos fazem especular: será que o investimento valeu a pena?

De acordo com o editor do Engadget Billy Steele, sim. Naturalmente, a Apple não é de dar ponto sem nó e, apesar da desaceleração da expressividade da Beats dentro do mercado de alto-falantes, a Apple conseguiu, com a aquisição, dar gás em outro nicho mercadológico: o de streaming de músicas. Para entender como isso aconteceu exatamente, precisamos voltar no tempo.

Como tudo começou

A Beats foi fundada em 2006 pelo cofundador da Interscope Records Jimmy Iovine e o rapper/produtor Andre Romelle Young (conhecido como Dr. Dre). Originalmente, a marca concentrou-se na produção de fones de ouvido e alto-falantes, e em 2012 a empresa detinha 64% do mercado acima de US$100 desses acessórios.

À medida que a indústria fonográfica avançou para a era do streaming, Iovine e Dr. Dre perceberam essa mudança e adentraram nesse nicho, no início de 2014, com o Beats Music. O serviço, que surgiu a partir da aquisição de outra plataforma de streaming de música, a MOG, focou-se na curadoria de playlists e na personalização do estilo musical de cada usuário — algo que continuou vivo no Apple Music.

Executivos da Apple e da Beats

Da esquerda para a direita: Jimmy Iovine, Tim Cook, Dr. Dre. e Eddy Cue.

Para Steele, a razão pela qual a aquisição da Beats valeu a pena para a Apple é justamente o fato de todo o processo “pós-compra” ter sido realizado com os criadores da marca, no caso Iovine, Dr. Dre (além do cantor e produtor Trent Reznor, que continua trabalhando na plataforma de streaming de música da Maçã).

Trabalhando por conta própria, isso poderia levar anos para ser construído e, mesmo assim, poderia não ter sido tão bom quanto o que fizeram com a ajuda de Iovine, Dr. Dre, Reznor e outros. A Apple comprou uma empresa, conquistou seus ativos e reteve seu talento para manter o trabalho girando como é feito muitas vezes. Cinco anos depois, os negócios estão crescendo, e isso é algo casual em Cupertino.

Atualmente, o Apple Music possui mais de 40 milhões de assinantes no mundo e já ultrapassou o seu maior concorrente, o Spotify, no mercado americano. É claro que nem tudo é sobre a transformação do Beats Music no Apple Music; afinal, a Beats tem um enorme negócios de fones de ouvido e alto-falantes que a Apple está mantendo à sua maneira.

Os fones de ouvido

Vocês devem se lembrar que, em 2016, quando a Apple apresentou os iPhones 7/7 Plus, a Beats anunciou três opções de fones de ouvido (Powerbeats3 Wireless, Solo3 Wireless e BeatsX) alimentados pelo chip W1 da Maçã, o mesmo dos AirPods.

Ainda que os fones de ouvido da Beats tenham sido (legitimamente) criticados por abusarem dos graves e pela qualidade do material utilizado na fabricação (que prezava mais pelo reconhecimento da marca do que do bom design), nos últimos anos isso tem mudado.

Mais recentemente, com o lançamento do Powerbeats Pro, muitos usuários se identificaram com o produto e elogiaram a qualidade do primeiro fone verdadeiramente sem fio da marca.

Isso é, como dissemos, fruto da parceria entre as duas empresas (e seus executivos) ao longo desses cinco anos. Nesse sentido, da mesma forma que a Apple se beneficiou do Beats Music para dar vida a sua própria plataforma, a Beats também aproveitou a engenharia e a tecnologia da Apple para alavancar a qualidade dos seus produtos.

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Aos interessados, a leitura do relatório do Engadget é mais do que indicada.

via The Loop

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