Apple aperta restrições para aplicativos infantis, mas volta atrás em apps de controle de uso

Na última semana, falamos aqui sobre dois assuntos em que a Apple estava envolvida — ambos relacionados à App Store, aos aplicativos direcionados a crianças e aos apps de controle de uso que competem com o Tempo de Uso do próprio iOS. Pois temos novidades em ambos os casos.

Após o surgimento do rumor de que a Maçã apertaria as restrições impostas a aplicativos infantis distribuídos na App Store, a Apple confirmou as especulações ontem mesmo, logo após a abertura da WWDC19. A empresa publicou uma série de atualizações nas diretrizes da sua loja de aplicativos, e a mais significativa traz o seguinte direcionamento:

Diretrizes 1.3 e 5.1.4. Para manter os dados de crianças protegidos, aplicativos na categoria “Infantil” e apps direcionados a crianças não podem incluir softwares de publicidade ou análise de terceiros e não podem transmitir dados a outras partes. Essa diretriz é aplicada imediatamente a novos apps. Apps existentes estão obrigados a segui-la a partir de 3 de setembro de 2019.

Com isso, a Apple assegura que a categoria “Infantil” da loja fique ainda mais protegida da influência avassaladora dos trackers e analisadores de dados — o que certamente representará uma oportunidade de marketing única para os pais e responsáveis das crianças usuárias de iPhones e iPads. Por outro lado, os desenvolvedores terão de rebolar para busca de formas de gerar dinheiro com seus aplicativos sem desrespeitar as regras.

Será interessante ver a reação da comunidade de desenvolvedores ao anúncio.

Apps de controle de uso voltam

O segundo assunto também tem a ver com a atualização nas diretrizes na App Store — mais especificamente, com a nova cláusula abaixo:

Diretriz 5.5. Como o MDM [Mobile Device Management, ferramenta de gerenciamento de dispositivos corporativos] dá acesso a dados sensíveis, apps MDM devem solicitar capacidade de gerenciamento no dispositivo móvel e só podem ser oferecidos por empresas e instituições, como organizações comerciais, educacionais ou governamentais — e, em casos limitados, empresas usando MDM para controle parental. Apps MDM não podem vender, usar ou disponibilizar dados para terceiros em qualquer circunstância, e precisam se comprometer a isso em suas políticas de privacidade.

Com a frase destacada acima, a Apple efetivamente permitiu que vários apps de controle de uso voltem à App Store — aplicativos como o FamilyTime ou o OurPact, que tinham sido removidos recentemente numa movimentação que gerou críticas à Maçã e a suspeita de que a empresa estava promovendo uma “caça às bruxas” a serviços que competissem com seu recurso nativo Tempo de Uso.

Agora, a polêmica está parcialmente resolvida. Os apps em questão poderão voltar a usar o MDM para oferecer as ferramentas de controle e limite de uso, mas, por outro lado, a Apple não liberou a API solicitada pelos desenvolvedores — a qual permitiria que eles abrissem mão do MDM como um todo e construíssem suas ferramentas com base em recursos nativos do iOS.

Bom… pelo menos é melhor do que nada, certo?

via MacRumors

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