Como funciona o app Buscar (Find My), que localiza até dispositivos offline [atualizado: mais detalhes]

Antes mesmo da keynote de abertura da WWDC19 (na última segunda-feira, quando conhecemos o iOS 13 e os outros sistemas operacionais da Maçã), nós já havíamos espiado (graças ao desenvolvedor Guilherme Rambo) algumas novidades do novo SO. Nesse bolo de novos recursos estava o novo app Buscar (Find My), que mescla as funções dos “antigos” apps Buscar Meus Amigos (Find My Friends) e Buscar Meu iPhone (Find My iPhone).

Na tentativa de tornar seus sistemas ainda mais independentes, a Apple lançou o novo app tanto para o iOS/iPadOS 13 quanto para o macOS Catalina 10.15. Nesse sentido, a ideia é que ele sirva como recurso principal para rastrear dispositivos perdidos, buscar familiares/amigos, entre outros.

Contudo, talvez a função mais interessante do novo app é que ele pode rastrear também aparelhos que estão offline — algo até então impossível —, como por exemplo um MacBook com a tampa fechada/dormindo ou um iPhone que esteja sem acesso à internet. Isso, é claro, não é algo feito “magicamente”; o modo como o recurso funciona é bem interessante.

Como funciona o novo app Buscar

De acordo com a Apple, ainda que determinado dispositivo esteja offline, ele envia sinais Bluetooth de baixa energia que são captados por outros aparelhos da Apple os quais estejam próximos. Portanto, se houver alguém com um iPhone ou iPad dentro do alcance do Bluetooth de um Mac (ou vice-versa), eles compartilharão entre si suas respectivas localizações.

Você deve estar se perguntando: “Mas então qualquer um poderá ver minha localização?” A resposta é não! Ainda segundo a Maçã, todos os dados são criptografados e seguros, de modo que nenhum dos dispositivos de outras pessoas (que estão transmitindo esses dados) terão acesso à localização do seu aparelho — apenas você, a partir da sua conta iCloud.

Em suma: a Apple utilizou os recursos de Bluetooth dos seus produtos para criar uma cadeia de gadgets que se conecta entre si para transmitir dados de localização continuamente; praticamente um sensates1 de iGadgets.

Conforme disse o vice-presidente sênior de engenharia de software da Maçã, Craig Federighi, o recurso foi projetado para usar o mínimo de dados e de energia; portanto, ele tem um impacto insignificante tanto no consumo de dados móveis dos dispositivos quanto na bateria, já que aproveita o tráfego de dados existente.

Bloqueio de Ativação (Activation Lock)

A Apple também adicionou (finalmente!) o recurso Bloqueio de Ativação a Macs equipados com o chip de segurança T2 (iMac Pro, Mac mini 2018, MacBook Air 2018 e MacBook Pro 2018/2019). Na verdade, o recurso já estava disponível para Macs sem o chip T2, mas funcionava de uma forma um pouco diferente já que ainda era possível formatar a máquina mesmo depois de colocá-la em Modo Perdido pelo iCloud.

Agora, nesses computadores mais recentes, os meliantes que colocarem aos mãos no seu Mac não conseguirão reutilizar a máquina após formatá-la — assim como em iPhones/iPads, isso só será possível se ele tiver as credenciais do seu ID Apple. É claro que, apesar do nível de segurança adicional, o Mac ainda pode ser alvo de furtos para remoção de peças — mas pelo menos você terá a certeza de que seus dados não serão acessados ou roubados por outras pessoas.

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As novidades do app Buscar estarão disponíveis no iOS 13, no iPadOS 13 e no macOS Catalina 10.15, os quais já tiveram suas primeiras versões beta lançadas. O Bloqueio de Ativação, por sua vez, será disponibilizado com o macOS Catalina 10.15 para todos os Macs compatíveis.

via MacRumors, 9to5Mac

Atualização 06/06/2019 às 08:23

A Apple forneceu mais detalhes sobre o funcionamento interno do app Buscar para a WIRED.

De acordo com a publicação, o novo sistema de rastreamento de dispositivos offline realmente funciona em rede, partindo dos dispositivos que estão mais perto do gadget perdido/furtado para os sistemas da Apple. Porém, eis a “novidade”: para você visualizar a localização desse aparelho é necessário possuir pelo menos outro dispositivo da Maçã.

Isso é preciso pois, ao configurar o Find My, pelo menos dois dispositivos da Apple devem gerar uma chave privada (como a empresa havia dito, todo o processo é criptografado) que é compartilhada entre eles. Para garantir a segurança dessa chave, ela é armazenada localmente (presumivelmente no Secure Enclave do iPhone ou no chip T2, do Mac).

Dessa forma, quando um dispositivo entra no Modo Perdido, ele envia os sinais Bluetooth para os iGadgets mais próximos além de uma chave pública criptografada (diferente daquela configurada no app Buscar), a qual é enviada pelos dispositivos na redondeza para os servidores da Apple — mas que não pode ser lida nem por ela, nem pelos gadgets em volta.

Assim, quando um usuário procurar um dispositivo perdido pelo app Buscar, esse aparelho enviará uma segunda chave, correspondente àquela do dispositivo perdido, que será capaz de descriptografá-la, indicando a localização geográfica daquele aparelho. Demais, né?

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Comentários

30 comments

  1. Não porque assim que foram formatados o meliante inseriou um novo Apple ID após remover o seu antigo na formatação, já que antes dessa funcionalidade de segurança isso era possível.

  2. Nesse caso o iPhone não tem como…. mas o Mac é uma dúvida minha tbm… se bem que na matéria diz que só vai funcionar nos dispositivos com o chip T2 e que pelo que entendi, só os Macs a partir de 2018 possuem. Será que é isso mesmo?

  3. O Ble está associado ao hardware da placa mãe. (Logic Board). Uma bateria de Bios seria suficiente para energiza-lo por uns 5 anos mantendo seu funcionamento pleno, sem precisar de recargas!!!

  4. Deu queixa? Tem BO? Entra em contato com a Apple. Eles consegue ratrea-lo. E quem sabe colabore com este novo recurso. Se as peças já não foram para desmonte.
    Meus sentimentos!!!

  5. Usava esse recurso no meu iPhone 4 na época de Jailbreak. Um tweak chamado iGotYa. Após errar 2 vezes a senha o celular tirava uma foto pela camera da frente, enviava por email a foto com a localização do GPS e desbloqueava o aparelho em uma tela fake. Nessa tela tinha o aplicativo de fotos, de mensagem, email entre outros, mas esses aplicativos mostravam coisas fakes, preservado as coisas verdadeiros do usuário. Meu celular nunca foi roubado para testar o recurso – ainda bem – mas gostava de mostrar o recurso para as pessoas… hahaha

  6. Acho q vc não precisa necessariamente possuir um outro dispositivo, mas sim usar um outro dispositivo Apple (pode ser seu ou de algum amigo/parente) para daí sim conseguir usar o recurso.

  7. Se entendi correto, então segundo a atualização do post, mesmo que o iPhone tenha sido perdido e retirado seu chip eu teria como encontrá-lo desde que eu tenha outro dispositivo da Apple?

  8. Não sei pq não implementaram algo tão simples:

    Sempre que tentar desbloquear o iPhone, ele tiraria uma foto do rosto e envia pra e-mail cadastrado, assim saberíamos quem roubou e poderíamos fazer divulgação e BO com a cara do infeliz.

  9. No meu Mac, eu criei uma senha de firmware nele… se alguém tentar formatar, vai pedir essa senha, e sem inserir não sai da tela. O meu pro 2015 não deixa remover o HD, mas quando tinha o anterior, fiz a mesma coisa e se trocassem o HD, não iam instalar pois o sistema não deixa abrir a tela de formatação com a senha de firmware ativada. Isso também não seria uma forma de proteção do macbook?

  10. Porém, eis a “novidade”: para você visualizar a localização desse aparelho é necessário possuir pelo menos outro dispositivo da Maçã.

    Então não será possível rastrear pelo site do icloud?
    Pelo que entendi somente pelo 2º dispositivo com a chave correspondente, certo?

  11. Ok, mas se a primeira coisa que o bandido faz é desligar o equipamento, ainda estamos nas mãos deles! O bom é que nesses novos modelos o desligamento tem que ser POWER + VOL até ele entender isso a SIRI vai cansar de perguntar O QUE POSSO LHE AJUDAR? Rssssssss

  12. Opá, corrige ai em cima o enunciado!!!

    O Ble 5.0 (4.0) estiver Offline não funciona. Então tem que estar com essa feature informando o posicionamento por triangulação para os outros dispositivos de amigos e parentes próximos.

    Aliás, a tecnologia iBeacon sempre funcionou e disponibilizou esse recurso. O Google renomeou a tecnologia para Nearby e foi bem sucedida até começarem a reclamar de invasão de privacidade e de bombardeio de publicidades indesejadas, além do excesso de consumo de energia. Tbm, diríamos né! gooo

    Esse recurso foi a junção de esforços da Apple com um empresa de Beacons de rastreamento e funcionalidades similares, o MM inclusive cobriu essa matéria a pouco tempo!!! Não é mesmo?

  13. offline = modo avião? ou desligado mesmo?

    No caso dos macs com chip T2, se removerem o HD e tentar pegar os dados através de outro computador, não conseguiram pq os dados são criptografados?

  14. Funciona offline, mas funciona desligado? Ou a Apple vai implementar um modo que impeça que os dispositivos sejam desligados sem uma senha? (me lembro vagamente que foi falado que seria “impossível”). Porque sabemos que é a primeira coisa que um ladrão faz ao roubar um celular. A segunda é retirar o chip (nesse caso não iria adiantar em nada).
    Eu sou meio negligente pois deixo ela habilitada na tela de bloqueio.

  15. Então meu Mac e iPhone roubados em 2015 voltarão a enviar localização no iCloud se o meliante atualizar o sistema mesmo tendo formatado na época ?

  16. Eu tinha um desejo que o app “amigos” fosse estendido para o android, e assim outros amigos/familiares estivessem compartilhando comigo a localização, como já faço com quem tem iphone. Mas pelo jeito não vai rolar.

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