Novo Mac Pro: o que há por trás do Mac mais poderoso até agora?

Encare-o como quiser, mas o novo Mac Pro, anunciado na WWDC19, se encaixa no topo da linha de evolução dos computadores da Maçã à sua própria maneira.

É claro que uma máquina desse porte não é criada em alguns meses; no caso da Apple, o novo Mac Pro levou mais do que o tempo previsto para chegar onde está — muitos devem se lembrar que a companhia havia anunciado que lançaria uma nova workstation (além de um novo display, aka o recém-anunciado Pro Display XDR) há mais de dois anos; somente no ano passado, porém, ela assumiu que demoraria um pouco mais para que o computador e o monitor chegassem ao mercado.

Tanto tempo, obviamente, levou à construção do Mac mais poderoso até agora. Para entender o hype em torno da nova máquina, precisamos primeira destrinchá-la (não como a iFixit costuma fazer, é claro).

Design

Apesar da brusca mudança no visual externo do novo Mac Pro, que se assemelha às primeiras versões da workstation, o formato de “ralador de queijo” é fruto de anos de estudo e já “estava flutuando nos laboratórios de design da Apple” antes mesmo da concepção da máquina em si, como informou o Axios.

Modelo 3D do Mac Pro

Naturalmente, a Apple não escolheu esse design (entre prováveis dezenas de opções) à toa: cada esfera (ou buraco) da carcaça é feita a partir da usinagem do seu próprio chassi, de aço inoxidável, e possui o objetivo de maximizar a ventilação e reduzir os ruídos durante o funcionamento.

O formato de torre do novo Mac Pro é típico de uma máquina com design modular, e graças a isso ele é extremamente personalizável; caso contrário, seriam incoerentes tantas opções de configuração se os componentes internos fossem soldados, a exemplo dos MacBooks Pro (que a partir de 2016 passaram a ter RAM1 e SSD2 soldados diretamente à placa-mãe).

Em suma, o design do novo Mac Pro cumpre com a promessa da Maçã: uma máquina expansível que une o melhor em arquitetura de computadores da Apple, oferecendo espaço para componentes poderosos — incluindo a nova placa aceleradora Afterburner, a qual detalharemos abaixo.

Conforme anunciado brevemente durante a apresentação do produto, a Apple também planeja lançar uma versão “empilhável” da workstation (sem os pés ou rodinhas da parte inferior) para quem precisa de duas ou mais máquinas dessas.

Processamento

Intel Xeon W

O novo Mac Pro inspira desempenho desde o seu modelo mais básico até a versão topo-de-linha. Nesse sentido, a Apple oferece até cinco opções de configuração do processador da workstation, todos da família de chips Xeon W (da Intel).

O modelo mais básico é equipado com um processador de 8 núcleos com clock de 3,5GHz (ou 4GHz no Turbo Boost), 24,5MB de cache e até 1TB de RAM (2.666MHz).

A versão de 12 núcleos tem 3,3GHz (ou 4,4GHz no Turbo Boost), 31,25MB de cache e, embora também chegue a 1TB de memória, suporta pentes de até 2.933MHz. O modelo intermediário, por sua vez, possui 16 núcleos de 3,2GHz (ou 4,4GHz no Turbo Boost), 38MB de cache e suporte a memória de até 1TB (2.933MHz).

Chegando ao crème de la crème, temos um processador de 24 núcleos de 2,7GHz (ou 4,4GHz no Turbo Boost), 57MB de cache e, ao contrário dos outros chips, até 1,5TB de RAM (2.933MHz). Por fim, o processador topo-de-linha do Mac Pro possui 28 núcleos com clock de 2,5GHz (ou 4,4GHz no Turbo Boost), 66,5MB de cache e a mesma capacidade de memória do modelo 24-core.

A Apple deverá usar uma versão de processadores que será lançada em breve pela Intel, uma vez que as especificações dos chips Xeon W existentes (da linha Intel ARK) não possuem a mesma quantidade de cache que a Apple alega que usará no novo Mac Pro — apesar de eles atingirem a mesma frequência de clock, como divulgou o AppleInsider.

Atualmente, a maior quantidade de cache em um chip Xeon W é de 38,5MB. Em todas as variedades de processadores dessa linha, no entanto, a capacidade de cache salta de 60MB para 71,5MB; ou seja, ainda não existe um chip Xeon com 66,5MB de cache.

RAM

Novo Mac Pro por dentro

O novo Mac Pro possui 6 canais de memória com 12 slots DIMMs3. A Apple revelou as possíveis combinações de memória para cada uma das configurações de RAM do Mac Pro:

  • 32GB: 4 pentes DDR4 de 8GB;
  • 48GB: 6 pentes DDR4 de 8GB;
  • 96GB: 6 pentes DDR4 de 16GB;
  • 192GB: 6 pentes DDR4 de 32GB;
  • 384GB: 6 pentes DDR4 de 64GB;
  • 768GB: 6 pentes DDR4 de 128GB, ou 12 pentes DDR4 de 64GB;
  • 1,5TB: 12 pentes DDR4 de 128GB.

Vale lembrar que o uso de 1,5TB de RAM só é possível nos modelos de 24 ou 28 núcleos, naturalmente. Além disso, apenas a RAM do modelo de entrada (de 8 núcleos) é de 2.666MHz, enquanto os modelos restantes podem usar memórias ECC4 de 2.933MHz.

Gráficos

Semelhantemente à RAM, o novo Mac Pro possui um total de 8 slots de expansão PCIe5 3.0 que podem ser configurados de maneiras diferentes, tudo dentro de uma placa MPX6 gigante.

Placa gráfica do novo Mac Pro

A nova placa gráfica do Mac Pro combina um novo slot PCIe capaz fornecer até 475W(!) de energia, conectores PCIe padrão (x16) e um conector com duas portas Thunderbolt 3, duas USB-A e uma saída de áudio de 3,5mm.

Como dissemos, os slots PCIe do novo Mac Pro são da terceira geração, o que deixou muitos usuários indagando o porquê de a Apple não ter adotado a quarta geração da tecnologia. A resposta é simples: até o momento, apenas a AMD avançou no desenvolvimento do PCIe 4.0.

Por falar na AMD, é na parte gráfica que a fabricante contribuiu com a produção do novo Mac Pro, a partir dos seus chipsets Radeon Pro 580X e Radeon Pro Vega II (ou II Duo), o qual representa a nova geração da placa que alimenta os iMacs mais recentes, com até 64GB de memória HBM27.

A Intel, por outro lado, não anunciou ainda nenhum processador específico que suportará a PCIe 4.0. Não obstante, a nova geração de chips “Ice Lake” da fabricante oferecerá suporte a esse padrão, mas os processadores Xeon dessa linha não deverão ser comercializados até o primeiro semestre de 2020 — tarde demais para incluí-lo a tempo do lançamento do Mac Pro.

Afterburner

Ainda que opcional, não podemos esquecer de comentar um componente tão potente como a nova placa Afterburner, configurável especialmente com o novo Mac Pro. Resumidamente, ela foi projetada para “desafogar” os componentes de processamento em tarefas intensas, como produção e edição de vídeos, de áudio, etc.

Em vez de o Mac Pro depender dos processadores ou das placas gráficas para algumas tarefas, a Afterburner assumirá essas funções, liberando o restante dos componentes do sistema para executar outras ações; em suma, o que já era potente ficará ainda melhor com ela.

Quando instalada em um slot PCIe (x16) do Mac Pro, os apps de edição poderão gerenciar vídeos de alta resolução e altas taxas de bits com facilidade sem “engasgar”. Para alcançar tudo isso, a Apple trabalhou com uma série de empresas como Adobe, Autodesk, Serif e Blackmagic, para que elas otimizassem seus softwares a fim de aproveitar o máximo desse poder de processamento.

Durante a apresentação da Afterburner na WWDC19, inclusive, vimos um uma pessoa adicionar mais de 1.000 faixas de áudio ao Logic Pro X sem qualquer impacto no fluxo de trabalho. Além disso, a placa é capaz de processar até 3 streams simultâneos em resolução 8K (a 30 quadros por segundo), 12 streams em 4K (a 30 quadros por segundo) ou até 16 streams de vídeo.

Com a Afterburner, a Apple pretende que os softwares de edição e produção de vídeo sejam capazes de usar os codecs e formatos de arquivos de vídeo originais sem criar versões de proxy (que podem ser editados com mais facilidade).

Mac Pro

Curiosidades

Além das características mais parrudas já vistas em um Mac, existem outros detalhes da nova workstation da Maçã que valem a pena destacarmos. O gerente de produtos da Apple, Doug Brooks, disse durante a 485º edição do podcast Mac Power Users que o novo Mac Pro é mais silencioso do que o iMac Pro e o atual modelo [do Mac Pro, o computador em forma de lata de lixo].

O som do novo Mac Pro sob uma mesa mede cerca de 10 decibéis, tornando-o mais silencioso que um iMac Pro ou o atual Mac Pro em uma mesa, que já são “virtualmente silenciosos” por volta de 12 decibéis.

Quanto ao poder, Brooks disse que o objetivo da Apple foi projetar um computador para o futuro, garantindo que a máquina seja capaz de lidar com tarefas com as quais os profissionais terão que realizar daqui a muito tempo, ainda.

Nós não queremos construí-lo para hoje, e sim para o futuro. Então, olhamos para características como streams de vídeos em 8K; essa não é o usual atualmente, mas com certeza há profissionais fazendo isso, então queremos ter certeza de que estamos prontos e ter o desempenho para entregá-lo por todo o sistema.

O processo de fabricação da máquina foi tão meticuloso que, segundo o executivo, a Apple usou sensores de impacto para garantir que o computador fosse capaz de suportar choques e vibrações enquanto era transportado em caminhões dentro do Apple Park e de outros ambientes.

Outro detalhe interessante (e que é bem a cara da Apple) aponta que, como muitos outros produtos da Maçã, o novo Mac Pro foi mantido em um “gabinete secreto” durante os testes nos laboratórios de Cupertino para garantir que seu design permanecesse em segredo — o que funcionou, afinal de contas.

·   •   ·

Pensando especificamente no novo Mac Pro, é possível dizer, sim, que os avanços da Apple em hardware forem substanciais a ponto de colocá-lo como o Mac mais incrível já lançado — mas, talvez, a principal característica dessa workstation continue sendo o alto poder de configuração e versatilidade que ela oferece.

É claro que tanto potencial não é voltado para o uso “comum”, ou seja, o novo Mac Pro não foi pensado para ser um computador de mesa de qualquer casa, mas isso é uma discussão que nós já abordamos em outro artigo.

Resta-nos agora aguardar até o último trimestre deste ano para que os primeiros consumidores ponham as mãos nos seus computadores profissionais e que nós, meros mortais, possamos babar ver o poder de processamento da máquina.

Até lá, quem sabe alguém aí não mude de ideia e decida gastar (ou melhor, investir) mais de milhão de reais numa belezura dessas? 😝

via AppleInsider, MacRumors, TechCrunch, 9to5Mac, Y.M.Cinema

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