Depois da polêmica dos AirPods descartáveis, passou a pairar no ar a questão se a Apple — ou, mais precisamente, sua subsidiária Beats — utilizaria as mesmas técnicas de construção impossíveis de se reparar nos seus outros fones totalmente sem fio, os recém-lançados Powerbeats Pro. Bom, ontem a iFixit finalmente pôs as mãos nos bichinhos e deu seu veredito: é um pouco melhor, mas continua beeem ruim.

Abrir os Powerbeats Pro é um processo um pouco menos destrutivo que a dissecação dos AirPods, mas nem por isso agradável: é necessário aplicar uma boa dose de calor, estiletes de precisão, pinças e pura força bruta para desbravar o interior dos fones — que, como de costume, tem cola e soldas para todos os lados.

A placa lógica do fone, que abriga o chip H1, é dobrada (ou, mais especificamente, separada em três partes conectadas por cabos flex), e a bateria é a mesma encontrada nos (altamente reparáveis) Galaxy Buds, da Samsung: cada lado tem um componente de 200mWh, mais que o dobro em relação aos 93mWh dos AirPods. O problema é que aqui, também, as baterias são soldadas à placa, tornando substituições basicamente impossíveis.

Os drivers de áudio dos Powerbeats Pro são semelhantes aos dos AirPods e igualmente inacessíveis: por conta da estrutura interna de placas, cabos e bateria, só foi possível ter acesso a eles cortando alguns dos fios ligando os componentes, efetivamente matando os fones. Segundo a iFixit, a diferença no áudio entre os Powerbeats Pro e os AirPods se dá principalmente pela construção acústica deles (os fones da Beats usam muito mais silicone e instrumentos de reverberação), e não pelos drivers em si.

O estojo dos fones é igualmente espinhoso de se abrir, com a exigência de uma força considerável para acessar suas entranhas. A cola é presença constante lá dentro — inclusive na bateria da case, de 1,3Wh. Nada fácil de se substituir.

No fim das contas, a iFixit deu nota 1 (em 10 pontos possíveis) aos Powerbeats Pro no seu índice de “reparabilidade” — o que, ainda que horrível, é melhor que a nota 0 recebida pelos AirPods. O site ponderou que a bateria dos fones, que é de um modelo facilmente encontrável, pode, com algum esforço, ser substituída; também foi considerado o fato de que eles podem ser abertos sem uma destruição completa dos seus componentes internos (apenas danos cosméticos).

Ainda assim, a situação não é boa: os componentes internos são todos conectados por cabos que não podem ser soltos, a estrutura é toda baseada em cola e soldas, e o estojo dos fones é quase inacessível, afirma a iFixit.

Taggeado:

Posts relacionados

Comentários