Cupertino concedeu quase US$70 milhões em benefícios fiscais à Apple nos últimos 20 anos

Ser a sede de uma das maiores empresas do mundo deve ser um negócio lucrativo para qualquer cidade que se preze, mas a operação também tem seus custos — às vezes bem altos, como mostrou essa reportagem da Bloomberg.

De acordo com a matéria, a cidade de Cupertino (Califórnia) já concedeu, desde 1998, um valor acumulado em cerca de US$70 milhões à Apple em benefícios fiscais. À primeira vista, o valor pode até parecer pequeno frente ao poderio econômico da Maçã, mas há de se lembrar que Cupertino é uma cidade minúscula, com menos de 60 mil habitantes — ou seja, não, não estamos falando de qualquer “troco de bala” para o município.

A razão para os pagamentos astronômicos à Apple remontam ao fim dos anos 1990, quando a Maçã estava passando pela pior crise da sua história e Steve Jobs voltou do exílio para salvar a empresa e levá-la ao seu período de maior glória. Na época, Jobs fez um acordo de benefícios fiscais com a prefeitura de Cupertino o qual garantiria alguma segurança ao frágil estado financeiro da Apple e, ao mesmo tempo, asseguraria que a empresa ficaria na cidade pelo futuro previsível.

O que Cupertino não imaginava era que, anos depois, a Apple escalaria as tabelas para tornar-se uma empresa eventualmente avaliada em US$1.000.000.000.000. O crescimento meteórico da Maçã traduziu-se, proporcionalmente, em benefícios fiscais maiores para a empresa — só no último ano, a cidade concedeu cerca de US$6 milhões à Apple, e o valor só tende a aumentar até pelo menos 2033, quando os contratos deverão ser renegociados.

Entre os termos do atual acordo mantido pela Apple e a cidade, existe um repasse de 35% dos impostos gerados com as vendas de produtos da Maçã para empresas em todo o estado da Califórnia, bem como 35% dos impostos gerados com as vendas totais das duas lojas da Apple em Cupertino. Anteriormente essa taxa era de 50%, mas as duas partes renegociaram o acordo para que a construção do Apple Park fosse liberada.

Obviamente, nem todos estão satisfeitos com esse fluxo de dinheiro sendo bonificado para a Apple. Como define o executivo Greg LeRoy, diretor do órgão de fiscalização financeiro Good Jobs First:

Eu desafio qualquer um que tente argumentar que esses US$70 milhões foram fundamentais para o sucesso da Apple. Essa é só uma fonte inesperada de renda que a Apple percebeu que poderia extrair da sua cidade-sede.

A cidade de Cupertino, por sua vez, teme que um encerramento do acordo gere represálias por parte da Apple. Naturalmente, é quase impossível que vejamos a empresa sair do município após a construção bilionária do Apple Park, mas a empresa poderia, por exemplo, redirecionar o dinheiro das suas vendas para outro lugar no caso de um desentendimento — o que seria desastroso para Cupertino.

Como colocou a matéria da Bloomberg, é inegável que a presença da Apple (e o seu crescimento) ajudou a cidade a crescer nos últimos 20 anos, mas, por outro lado, esses benefícios concedidos à empresa representam muito dinheiro que Cupertino poderia ter usado para se dedicar aos seus cidadãos e outras empresas locais. O equilíbrio, como sempre, é muito frágil.

via Cult of Mac

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