Fundador da Foxconn deixa o cargo de CEO e pede que a Apple fabrique em Taiwan

Há pouco mais de dois meses, o executivo Terry Gou, fundador da Foxconn (uma das maiores fornecedoras da Apple), anunciou que deixaria o comando da empresa — o que veio a ser oficializado ontem, em uma reunião anual da Foxconn.

Gou afirmou que, a partir de agora, aos seus 69 anos de idade, se preparará para a corrida presidencial de Taiwan, como informou o Yahoo.

Além de CEO1, Gou também é o maior acionista da Foxconn e, por isso, permanecerá no conselho administrativo da empresa. O atual chefe de negócios de semicondutores da companhia, Young Liu, assumirá a cadeira de presidente ao passo que a empresa também será dirigida por comitês.

Liu assume o leme da Foxconn em um momento delicado da companhia na China (a qual, inclusive, é a maior empregadora privada do país), devido à famigerada guerra comercial do país com os Estados Unidos. Como destacamos, a escalada das tensões entre as duas potências prejudicará a Apple e grande parte dos negócios de empresas como a Foxconn na China, principalmente.

Fabricação em Taiwan

Justamente pelo imbróglio entre EUA e China, o fundador da Foxconn pediu à Apple que transfira parte da sua extensa cadeia de produção da China para Taiwan, onde fica a sede da Foxconn.

Gou não elaborou muito sobre como se deu ou em que passo estão essas conversas com a Apple, dizendo apenas que “está pedindo que a Apple se mude para Taiwan” e que tal mudança é “muito possível”, como divulgado pela Bloomberg.

Já há alguns meses, comentamos que grande parte das fornecedoras da Apple estão procurando se expandir para outros países além da China, de forma a evitar as tarifas do governo americano sobre produtos fabricados no território chinês. Na semana passada, inclusive, o recém-nomeado presidente da fornecedora afirmou que a empresa já consegue produzir iPhones suficientes fora da China.

Entretanto, a Bloomberg sugere que o pedido de Gou pode ser uma faca de dois gumes para a Foxconn, já que uma mudança significativa na produção de bens de consumo da China para Taiwan (que Pequim vê como parte de seu território) poderá exacerbar as tensões entre os dois governos.

De fato, a tábua está quente não só para a Apple bem como para quase toda a sua linha de produção na China. Resta-nos continuar acompanhando esse caso para ver como a gigante de Cupertino e suas parceiras pretendem contornar essa situação complicada.

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