Time de aprovação da App Store tem uma ajudinha de Phil Schiller nas decisões mais espinhosas

Com suas operações quase sempre mantidas sob uma fortíssima cortina de segredos, é sempre interessante ver um olhar interno sobre alguma das equipes da Apple — seja na área de design, engenharia, marketing ou seja lá o que for. Hoje, a CNBC publicou uma reportagem focando nas equipes de aprovação da App Store, com alguns detalhes inéditos bem curiosos.

Por exemplo: a Apple mantém equipes de aprovação de apps em vários locais ao redor do mundo. O time “central” é baseado em Sunnyvale, Califórnia, a poucos quilômetros do Apple Park em Cupertino, mas dezenas de outras equipes operam espalhadas para cobrir aplicativos de todos os países. Os escritórios de aprovação mais recentes foram abertos em Cork (Irlanda) e Xangai (China).

Os empregados das equipes de aprovação são todos contratados diretamente pela Apple, com todos os benefícios — pagamento por hora, plano de saúde, férias e tudo mais. Essa prática é diferente da adotada por outras empresas, como Facebook e YouTube, que recorrem a firmas terceirizadas para criar a rede de análise do seu conteúdo.

Os integrantes das equipes de aprovação da Maçã têm responsabilidades atribuídas de acordo com a experiência no cargo: inicialmente, eles são encarregados de analisar apps simples para iPhones; com o tempo, passam a lidar também com aplicativos para Apple Watch e Apple TV, bem como aqueles que trazem opções de compras internas e assinaturas. Os empregados analisam entre 50 e 100 apps por dia, testando-os em iPads, Apple TVs e Apple Watches e revisando seu código; na maior parte dos casos, a aprovação (ou reprovação) é muito rápida e não toma mais que alguns minutos.

Algumas decisões, entretanto, são mais difíceis — especialmente quando um app é reprovado e seus desenvolvedores recorrem da decisão, ou quando a razão para a negativa é a inclusão de algum conteúdo ética ou politicamente sensível. Para isso, existe uma equipe especial, chamada de Executive Review Board (ERB, algo como “Painel de Análise Executiva”) e liderada pelo vice-presidente sênior de marketing global da Maçã, Phil Schiller.

A ERB se reúne semanalmente para discutir certas decisões tomadas pelas equipes e fazer decisões finais acerca de alguns apps; o veredito da equipe de executivos é sempre a palavra final no processo de aprovação ou reprovação da App Store — foram os executivos que decidiram, por exemplo, pelo banimento do aplicativo do programa InfoWars, produzido pelo teórico da conspiração Alex Jones e acusado de promover ideias de supremacia branca.

Segundo a CNBC, a Apple não dá, nesse processo, preferência a apps de grandes empresas ou desenvolvedoras que tenham proximidade com ela — todos os aplicativos passam, segundo a reportagem, pelos mesmíssimos passos, com o mesmíssimo rigor.

Claro que o processo não é perfeito — já vimos muitos casos de apps claramente inapropriados escapando pelos dedos das equipes de aprovação, enquanto outros perfeitamente seguros e aceitáveis foram banidos por razões arbitrárias. Ainda assim, a máquina é impressionante, não é verdade?

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