Executivo do Facebook sugere que a Apple é um “clube exclusivo”

Como muitos de vocês sabem ou já devem ter imaginado, a relação entre a Apple e o Facebook não é exatamente a mais amigável. Além de disparidades mercadológicas, as gigantes americanas também defendem métodos de trabalho diferentes, principalmente com relação à privacidade dos dados de seus consumidores.

Tanto é verdade que, no começo deste ano, a Apple removeu o certificado empresarial do Facebook após a explosão de um escândalo envolvendo um app de coleta de dados que era oferecido para os usuários da rede social sem o conhecimento da Maçã. Além disso, em muitas oportunidades, os executivos de ambas as companhias cutucam uns aos outros implicitamente.

Foi exatamente isso que aconteceu com o recém-contratado diretor de assuntos globais do Facebook, Nick Clegg, que decidiu, digamos, falar algumas verdades durante um evento realizado ontem em Berlim (Alemanha) — como informou o Business Insider.

Ao refletir sobre o modelo de negócio financiado por publicidade do Facebook (o que significa que ele é gratuito e está disponível para todos com uma conexão à internet), Clegg comparou a rede social a outras empresas de tecnologia, descrevendo a Apple por completo sem nem mesmo citar o nome dela.

O Facebook é gratuito e para todos. Algumas outras grandes empresas de tecnologia ganham dinheiro vendendo hardwares caros ou serviços de assinatura, ou em alguns casos ambos, para consumidores em economias desenvolvidas e mais ricas. Eles são um “clube exclusivo”, disponível apenas para consumidores aspirantes, com meios para comprar hardwares e serviços de alto valor.

O executivo não falou nenhuma mentira: de fato, a Apple é uma empresa que fabrica dispositivos caros para um determinado público. No entanto, será que esse discurso também tinha como intuito isentar o Facebook da sua responsabilidade com a privacidade dos seus usuários? Fica o questionamento.

O posicionamento de Clegg cutuca a Apple uma semana depois que o CEO1 da gigante de Cupertino, Tim Cook, discursou durante a cerimônia de formatura dos graduandos de Stanford, na qual ele atacou a “fábrica de caos” criada por empresas de mídia social.

Parece um pouco louco que alguém tenha que dizer isso, mas se você construiu uma fábrica de caos, você não pode se esquivar da responsabilidade por ele.

Como dissemos, pelo bem da “política de boa vizinhança” nenhum dos executivos da Apple nem do Facebook citam o nome das companhias em suas falas, mas mesmo dentro do universo da tecnologia, o mundo é pequeno. Veremos se a Apple responderá ao Facebook com outra farpada.

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Comentários

13 comments

  1. É facil fazer um discurso desse qnd seu publico alvo paga caro pra “ter essa privacidade”.. não existe almoco gratis, e o da apple eh bem pago…
    Agora, isso exclui a maior parte da população do mundo… e qnt ao resto? A apple vai fazer facilitar acessibilidade de serviços que protegem a privacidades da maioria das pessoas menos favorecidas?

  2. Refletir sobre empresas e mercado mundial usando as gigantes do setor automobilístico do século XX que já foram referência em inovação tecnológica, e que são proprietárias de outras empresas desenvolvedoras de tecnologia e inovação, para pensar sobre mudanças e sobrevivência, mesmo sabendo de toda diversidade de momentos e perspectivas entre os séculos XX e XXI, poderia fazer a Apple se atentar que a postura de a cada dia buscar ser mais elitizada e de produtos muito exclusivos pode ter conseqüências seriamente perigosas quando ao seu futuro e sua liderança em símbolo de inovação (que na verdade nem é real…mas ok!) e independência financeira. Marcas como Rolls Royce, Ferrari, Lamborghini, que ainda hoje são empresas de alto luxo, hoje pertecem a grupos com marcas variadas, inclusive de modelos populares (como tb é sua concorrente a samsung). Elas foram absorvidas pois não puderam se manter apenas com poucos produtos muito elitizados dos quais dispunham …. e mesmo sendo empresas ainda ricas e prestigiosas não resistiram. A dupla alemã de alto luxo que o diga sobre produtos “digamos” mais populares… parece que deu certo.
    Sei que existem outras variáveis…mas a velocidade das mudanças de hoje no setor de alta tecnologia pode matá-la ou tornar-lá o braço de alguma gigante de investimentos, que muito dos custos elevados de se tem para ser inovadora e ter diferencias serão cortados em prol da eficiência e do lucro….quem sabe já não está na hora de mirar para um futuro com equipamentos que estejam acessíveis a mais consumidores de mais países fora da Europa e EUA…sem esquecer que a China já está saindo de seu horizonte….e que as players da Terra do olho puxado são agressivas, criativas e ainda tem apoio e o dinheiro estatal…(goste-se ou não…)

  3. Modelo de negócio financiado por publicidade… só falta falar que os dados de seus usuários, que são em grande maioria dos casos usados com uma violação clara de privacidade, são o que eles tem pra oferecer pra essas empresas que pagam pela publicidade.

    “O Facebook é gratuito e para todos.” – tá bom então.

  4. Engraçado que a rede “facebook” só mostra perfil de empresas grandes, se você é uma pequena empresa e afins precisa pagar um boa quantia para ficar “visível” ao seus futuros consumidores.

    Essas mudanças tem em torno de 2 anos, mas de qualquer modo a maneira que o facebook está forçando as pequenas empresas a gastarem rios de dinheiro pra ir em busca de clientes é complicado.

    Enfim, se não fosse o Instagram não usaria esse rede em “mortalização” (facebook apenas)

  5. Me pergunto ate hoje porque ainda tenho facebook, não me agrega nada, facebook ja foi faz tempo. Uso so instagram e whatsApp mesmo.

  6. Se o serviço é gratuito, então o pagamento é você.

    (Se alguém souber o autor da frase ou se é diferente, põe aí).

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