Não, nós não estamos em 2013; mas você também não leu o título errado. A Apple está, de fato, enfrentando um outro processo, desta vez em trâmite no Tribunal Distrital da Flórida, onde uma ação coletiva alega que a Maçã “quebrou” o FaceTime para forçar usuários dos iPhones 4 e 4s (lançados em 2010 e 2011, respectivamente) a atualizarem seus dispositivos para o iOS 7.

Não entendeu patavinas? Eu explico: a Apple lançou o FaceTime em 2010 como um serviço de videoconferência que conectava então dois iGadgets por meio de dois métodos diferentes. O primeiro deles, de “ponto a ponto”, transferia dados de áudio e vídeo por uma conexão direta entre os aparelhos; já o segundo era conhecido como “método de retransmissão”, que usava servidores de terceiros para estabelecer essa conexão.

As ligações retransmitidas eram mais caras (por usarem dados e conexões de outros servidores) para a Apple do que a opção que conectava dois dispositivos diretamente. Naquela época, a Maçã pagava à Akamai Technologies pelo uso de servidores para o FaceTime — mas esse tipo de ligação era minoritário, cerca de 5% a 10% de todo o tráfego do FaceTime antes de 7 novembro de 2012. Até a VirnetX entrar no caminho.

Como muitos de vocês devem saber, o imbróglio entre a VirnetX e a Apple pode ser um dos casos judiciais mais antigos envolvendo a gigante de Cupertino. Tudo começou em 2010, quando a empresa processou a Maçã pelo uso de tecnologias de VPN1 em iPhones; depois, vários outros processos entre as duas vieram à tona, que incluíram a tecnologia usada no FaceTime para conectar dois dispositivos diretamente.

Seria contraprodutivo entrar nos detalhes dessas ações da VirnetX, porém é importante entender que isso fez com que a Apple adotasse o método de retransmissão para todas as ligações do FaceTime, a fim de evitar o pagamento de royalties à VirtnetX. Por consequência, essa situação foi determinante para que a gigante de Cupertino começasse a pagar valores ainda maiores para os servidores de retransmissão. Uma possível solução para isso veio com o iOS 7, lançado em setembro de 2013.

É natural que, quando um novo sistema operacional é lançado, muitos usuários prefiram aguardar para atualizar seus dispositivos (ou mesmo não atualizá-los de forma nenhuma). Isso também aconteceu em 2013, mas a Apple supostamente solicitou, em 16 de abril de 2014, a expiração de um certificado do FaceTime que basicamente “quebrou” a função principal do serviço — e é por isso que a companhia está sendo processada desta vez, como divulgado pelo Law360.

De acordo com o processo, os usuários foram “obrigados” a atualizar para o iOS 7 para que pudessem utilizar o FaceTime, o que acarretou em diversos problemas de performance nos iPhones 4 e 4s (lentidão, entre outros). Em suma, os demandantes acusam a Apple de “empurrar” os usuários a comprar dispositivos mais novos (na época, iPhones 5, 5c e 5s).

Além disso, o processo alega que, embora a Apple tenha atribuído a falha do FaceTime a um erro que seria corrigido com o novo sistema operacional, a empresa intencionalmente causou uma falha no aplicativo para forçar usuários a atualizarem seus aparelhos e, assim, reduzir os custos de retransmissão que ainda corriam com base nas ligações feitas a partir de gadgets rodando o iOS 6 e anteriores.

Por fim, a ação exige que a Apple seja investigada para averiguar se a empresa “violou leis do estado da Flórida sobre práticas comerciais fraudulentas e desleais”, bem como a possibilidade de a companhia ter “invadido” as propriedades privadas (os iPhones) dos usuários. Por tudo isso, os demandantes buscam restituição, danos e o pagamento de honorários advocatícios.

Seja um processo natimorto ou não, o fato é que tiraram uma situação do fundo do baú para tentar enquadrar a Apple. Veremos no que isso dará…

via AppleInsider

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