Chip U1 dos novos iPhones poderá ser útil para um monte de coisas além das “Apple Tags” Seria esse o início da revolução da banda ultralarga?

Para um chip que (ainda) não tem quase nenhuma divulgação por parte da Apple, o U1, presente nos novos iPhones, já tem sua funcionalidade muito bem destrinchada. Sabemos que ele é um chip de reconhecimento espacial apurado, que utiliza a tecnologia de banda ultralarga (UWB) para localizar outros dispositivos dotados da mesma capacidade com enorme precisão — em alguns casos, de até 5 milímetros!

Sabemos, também, que o U1 só tem um uso no mundo real até o momento: proporcionar uma experiência muito mais rica na tela de compartilhamento do AirDrop nos novos iPhones (a interface mostra os outros aparelhos próximos de você e é capaz até de reconhecer aqueles que estão apontados para o seu smartphone), e isso só quando o iOS 13.1 sair no próximo dia 30.

Acima de tudo, sabemos que o U1 tem uma razão principal de existir: as prováveis “Apple Tags”, pequenos rastreadores que poderão ser afixados a objetos comuns (como bolsas, carteiras, chaves ou bicicletas, por exemplo) e servirão como localizadores administráveis pelo seu iPhone ou iPad. Os dispositivos, por qualquer razão que seja, ainda não foram apresentados pela Apple, mas isso deverá acontecer em algum momento no futuro próximo.

O que nós não temos muita ideia, ainda, é que o chip U1 tem muitos outros usos potenciais — e pode, inclusive, desencadear uma nova era na área da localização digital.

Em um artigo para o Six Colors, o entusiasta da Apple Jason Snell trouxe alguns outros exemplos de cenários onde o UWB pode ser essencial num futuro próximo. Uma delas é a área da automação doméstica: com a localização aprimorada do chip U1, os dispositivos e eletrodomésticos inteligentes poderão ter uma ideia muito melhor de onde você está dentro da sua casa, ajustando seu funcionamento de acordo com essas informações.

Um sistema de áudio, por exemplo, poderá “lhe acompanhar” pelos cômodos, desligando certos alto-falantes e ligando outros conforme você se move pela casa. Uma fechadura inteligente, por sua vez, poderá se certificar de que você está de fato em frente à sua porta para destrancá-la, travando-a novamente assim que você entrar em casa e se afastar dela.

Aqui, aliás, é bom fazer um adendo para tratar do Bluetooth Low-Energy: o protocolo já é usado hoje em dia para realizar muitas das ações descritas neste artigo, mas a emissão de banda ultralarga é muito mais apropriada para esses processos. Além de ser mais eficiente (um chip UWB usa um terço da energia de um com Bluetooth LE), a nova tecnologia é muito mais segura exatamente por ser mais precisa: enquanto o Bluetooth mede distâncias pela força do sinal, um método não muito seguro e facilmente adulterável, o UWB o faz medindo o tempo exato de ida e volta das ondas — o que o torna muito mais confiável e exato.

Com isso, outras aplicações tornam-se mais plausíveis. Fabricantes de carros, por exemplo, abandonaram o Bluetooth LE por preocupações relacionadas à sua segurança; com a popularização do UWB, elas poderão voltar a fazer chaves que destravem os veículos com aproximação (ou produzam aplicativos para smartphones que reproduzam o mesmo efeito, por exemplo).

O UWB também poderá, potencialmente, ajudar a ação de aplicativos de realidade aumentada e de navegação interna — permitindo, por exemplo, que você consiga ter instruções de navegação visual num shopping center da mesma forma que o Google Maps já lhe orienta nas ruas de uma cidade, por exemplo.

O artigo de Snell lembra que todos esses cenários só serão possíveis caso a tecnologia se popularize. Os novos iPhones são os primeiros dispositivos a adotá-la (o que por si só já é um ótimo trampolim, vale lembrar), mas várias outras empresas, como o Google e a Samsung, estão envolvidas com grupos de desenvolvimento do UWB — ou seja, poderemos ver uma adoção rápida da técnica ao longo do ano que vem. Tomara!

via 9to5Mac

Taggeado:

Posts relacionados

Comentários