Tim Cook e Deirdre O’Brien assinam documento pedindo proteção a imigrantes A partir da próxima semana, os vistos dos "Dreamers" poderão estar ameaçados

Já falamos aqui algumas vezes sobre a DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals, ou Ação Diferida para Chegada de Crianças), programa criado pelo governo Obama que concede vistos de estudo ou trabalho — válidos por dois anos e renováveis — a imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ilegalmente com menos de 16 anos, os chamados “Dreamers” (em tradução literal, “Sonhadores”). Esse artigo explica a questão com mais profundidade, a quem possa se interessar.

A Apple, junto a várias empresas de tecnologia, já se manifestou a favor do programa em diversas ocasiões. Agora, a Suprema Corte dos EUA julgará a legalidade (e a continuidade) em seu próximo período de considerações, que será iniciado na segunda-feira que vem (7/10). Com uma decisão contrária, os imigrantes beneficiados pela DACA poderão ter seus vistos cancelados, tornando-se passíveis de deportação.

Para reiterar o apoio aos imigrantes, o CEO Tim Cook e a vice-presidente sênior de varejo e pessoas da Maçã, Deirdre O’Brien, assinaram um amicus curiae endereçado à Suprema Corte.

Essa é a primeira vez que duas figuras da Apple assinam pessoalmente um documento do tipo — anteriormente, a empresa já tinha colocado seu nome em outras cartas abertas e comunicações do tipo, mas nunca por meio de pessoas “reais” da sua alta cúpula. No amicus curiae, Cook, O’Brien e a Maçã como um todo afirmam que a empresa não existiria sem a força de trabalho dos imigrantes e que a atitude mais moral a se tomar no momento é votar pela continuidade da DACA.

O texto é iniciado da seguinte forma:

A Apple é uma empresa com raízes na inovação que tem como objetivo tornar o mundo um lugar melhor. Tim Cook é o seu CEO e Deirdre O’Brien é sua vice-presidente de varejo e pessoas. O Sr. Cook juntou-se à Apple em 1998, e a Sra. O’Brien em 1988. Neste documento, o Sr. Cook e a Sra. O’Brien falam pela Apple e, tão importante quanto, por si mesmos. A Apple enviou diversos documentos antes a esta Corte, mas esta é a primeira vez que nós colocamos aqui também nossos nomes. Nós fazemos isso para destacar que a Apple se importa não só como empresa — nós nos importamos enquanto líderes, colegas e seres humanos. Essa é uma questão que nós sentimos no nosso âmago.

Desde 1976, a Apple fez seu nome criando, desenvolvendo, vendendo e mantendo eletrônicos de ponta, incluindo dispositivos de comunicação móvel, computadores pessoais e softwares e serviços relacionados. O sucesso da Apple vem do seu pessoal. Eles formam e incorporam a nossa cultura de inovação. A Apple emprega uma força de trabalho diversa, com mais de 90.000 empregados somente nos Estados Unidos.

Entre essas pessoas, centenas foram beneficiadas pela DACA — pessoas que não tiveram nenhum poder de decisão ao chegar neste país e que não conhecem nenhum outro lar. A Apple emprega beneficiados pela DACA, que incorporam nosso compromisso pela inovação, em uma grande variedade de cargos. Como explicaremos a seguir, eles, e imigrantes como eles, são vitais para o sucesso da Apple. Eles estimulam a criatividade e ajudam a nos levar à inovação. E estão entre nossos colegas mais motivados e altruístas.

Nosso interesse no caso é simples: nós estamos preocupados com o prospecto de ter nossos colegas beneficiados pela DACA arrancados do tecido da nossa empresa. Essa questão é moral: nosso país fez um acordo com uma população altamente vulnerável interessada em um futuro brilhante, e nós devemos manter esse acordo.

O documento completo pode ser lido (em inglês) aqui — e nós, claro, ficaremos atentos aos próximos passos dessa história.

via MacRumors

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