Protestos em Hong Kong

Como muitas coisas na vida, a relação entre a Apple e a China tem seus altos e baixos. Como se não bastasse a guerra comercial entre a potência oriental e os Estados Unidos, agora a empresa está sendo criticada por ter aprovado a distribuição de um app que fornece aos usuários a localização e os dados de atividades policiais em Hong Kong.

Para aqueles que não estão antenados no que vem ocorrendo do outro lado do planeta, Hong Kong tem visto um levante de manifestações populares contra algumas decisões-chave do atual governo. Os protestos já acontecem há quase quatro meses e não têm previsão para cessar.

Agora, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, atacou a Apple por permitir a distribuição de aplicativos na App Store que rastreiam o movimento da polícia em torno de Hong Kong, frequentemente utilizado pelos protestantes durante as manifestações. As informações são da Reuters.

Na publicação, o jornal não mencionou especificamente o nome de aplicativos (já que existem alguns, como o HKmap), mas disse que a Apple é “cúmplice” dos manifestantes por “favorecê-los com esse tipo de app”. Eles questionaram, ainda, se a companhia estava “pensando com clareza”.

O Diário do Povo também sugeriu que a Apple não tem um “senso de certo e errado e ignorou a verdade”. O jornal disse que, ao disponibilizar aplicativos como esses na App Store, a Maçã estava “abrindo a porta” para manifestantes violentos.

Permitir o uso de softwares tóxicos é uma traição aos sentimentos do povo chinês.

A gigante de Cupertino é a mais recente empresa estrangeira a receber as farpas do governo chinês em relação aos protestos em Hong Kong; a National Basketball Association (NBA) e a marca americana de vestuário Vans também se envolveram em controvérsias sobre as manifestações.

A Apple ainda não respondeu a um pedido de comentário. Veremos como esse embate (e a guerra comercial entre os EUA e a China) se desenrolará no decorrer das próximas semanas.

via The Guardian

Atualização, por Bruno Santana 09/10/2019 às 19:08

E cá está mais um capítulo da história: poucas horas após a publicação das críticas no Diário do Povo, a Apple removeu da App Store chinesa — a pedido de Pequim — o aplicativo do site de notícias Quartz, que está fazendo uma cobertura aprofundada dos protestos em Hong Kong. Os domínios do site também foram desativados no território do país, como informou o editor John Keefe:

A Apple acabou de retirar o aplicativo do Quartz da App Store chinesa, a pedido do governo, e o qz.com agora está bloqueado na China continental. A excelente cobertura que o @qz tem feito dos protestos em Hong Kong pode ser o motivo.

Vamos ver onde essa história toda vai parar…

via 9to5Mac

Atualização II, por Luiz Gustavo Ribeiro 10/10/2019 às 08:28

E já temos mais uma reviravolta no caso: o app HKMap Live, que já tinha sido retirado da App Store e posteriormente restaurado, foi novamente retirado da loja de aplicativos — provavelmente como uma reação da Apple às críticas do governo chinês.

Após remover o app policial da App Store (e o do jornal Quartz, como supracitado), a companhia divulgou seu posicionamento sobre o assunto, afirmando que o app viola as diretrizes da App Store ao “ameaçar a segurança pública”:

Criamos a App Store para ser um local seguro e confiável para descobrir aplicativos. Descobrimos que um aplicativo, HKmap.live, foi usado de maneira a comprometer a aplicação da lei e prejudicar os residentes em Hong Kong. Muitos clientes preocupados em Hong Kong entraram em contato conosco sobre este aplicativo e imediatamente começamos a investigá-lo. O aplicativo exibe locais policiais e verificamos junto à Agência de Crimes Cibernéticos e de Tecnologia de Hong Kong que o aplicativo foi usado para atacar e emboscar policiais, ameaçar a segurança pública e os criminosos o usaram para vitimar os moradores em áreas onde eles sabem que não há aplicação da lei. Este aplicativo viola nossas diretrizes, além de leis locais, e por isso o removemos da App Store.

O desenvolvedor do app negou à Bloomberg qualquer acusação feita pela Apple: “Discordamos da alegação da Apple de que nosso aplicativo colocou em risco qualquer pessoa em Hong Kong.”

Sobre a remoção do app Quartz, a Apple enviou um aviso dizendo que o software “inclui conteúdo ilegal na China”. A companhia não especificou que tipo de conteúdo era esse; não obstante, o editor-chefe do jornal, Zach Seward, esbravejou (e com razão) sobre a decisão do governo da China, atendida pela Apple:

Nós abominamos esse tipo de censura do governo à internet e temos uma grande cobertura de como contornar essas proibições em todo o mundo.

Sem sombra de dúvidas, essa é uma situação muito delicada a qual passou a envolver empresas e serviços de suma importância para a população, incluindo o acesso à informação e à tecnologia. Continuaremos acompanhando os próximos capítulos.

via The New York Times

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