iPhone XS Max fica dois dias no fundo do Rio Tapajós… e sobrevive!

Autor convidado

Lennon Muniz

Empresário paraense de 27 anos, é apaixonado por tecnologia e começou a curtir os dispositivos da Maçã ainda na primeira geração do iPhone. É um dos patrões do MacMagazine. Apesar da pouca idade, já trabalha com informática desde criança e, depois de algum tempo, transformou o que antes era um sonho em uma das maiores revendas de produtos Apple do Norte/Nordeste.

Fala, galera do MacMagazine! Como convidado, estou passando aqui pra contar um pouco do que ocorreu com meu iPhone XS Max recentemente. E vocês não leram o título errado, não: ele realmente sobreviveu por dois dias no fundo do Rio Tapajós, em plena Amazônia. Antes de contar um pouco da aventura — e também da pior parte dela —, quero situá-los sobre onde tudo isso aconteceu.

Além de ser apaixonado pelos aparelhos da Maçã, sempre gostei de esportes náuticos. E por maior que seja a resistência a líquido dos iPhones, eu realmente nunca achei que essa combinação fosse uma boa. Pois bem: no primeiro semestre, alguns amigos e pilotos de jet-ski (dentre eles, o meu pai) organizaram a “Expedição Tapajós”, que reuniu 45 jet-skis os quais embarcaram de balsa da capital Belém rumo a Santarém, no oeste do Pará (três dias de viagem).

Uma semana depois, todos os pilotos embarcaram de avião com o mesmo destino (40 minutos de viagem). O objetivo da expedição era desbravar os paradisíacos cenários da “Ilha do Amor”, em Alter do Chão, e seus arredores por um final de semana — de jet-ski, é claro.

Expedição Tapajós

Pra quem não sabe, Alter do Chão está entre os 10 melhores destinos do mundo para se conhecer em 2019 segundo uma pesquisa feita pelo jornal O Estado de S. Paulo. O cenário paradisíaco das praias no meio da Floresta Amazônica, banhadas pelo Rio Tapajós, é realmente deslumbrante!

Tudo o que eu realmente não esperava era que o pior estaria para acontecer no segundo dia. Por se tratar de um passeio náutico, todo mundo estava muito bem equipado. Na expedição não faltaram drones, câmeras de ação e, é claro, smartphones.

Todos os dias, saíamos do hotel rumo às praias da região com almoço nas comunidades ribeirinhas do local que já estavam aguardando o grupo; após a refeição, no segundo dia, estávamos aguardando por alguns participantes quando por um pequeno deslize ocorreu: meu iPhone escorregou e caiu nas águas do Rio Arapiuns. Rapidamente eu me joguei na água para tentar recuperá-lo; dois amigos que estavam por perto também tentaram, mas por conta da profundidade do rio e suas águas escuras, de nada adiantou.

De Alter do Chão ao final do Rio Arapiuns, temos uma distância de mais ou menos 25km em linha reta. Meu iPhone já estava a caminho do fundo e eu precisava fazer alguma coisa, mas no meio da Amazônia nenhuma operadora funcionava. Estávamos sem dados móveis; o recurso de localização offline do iOS 13 até poderia ajudar, mas não adiantou. Restavam somente alguns minutos pro grupo retornar ao hotel e eu estava com aquela “derrota” — parecia realmente ser o último adeus pro meu aparelho, mas eu não podia desistir.

Rapidamente, ainda no local, eu peguei outro aparelho para tentar enviar um arquivo pelo AirDrop e ver se existia algum sinal de vida dele. Nada. Mais alguns mergulhos e… nada — afinal, a água era muito escura. Chegava a hora de partir e eu realmente não me conformava em ter perdido meu iPhone XS Max — que diga-se, foi comprado em Hong Kong (sim, é um dos poucos em funcionamento no Brasil com dois chips físicos).

Além dos dólares perdidos e das longas horas de voo até Hong Kong, ali eu também estava perdendo todas as fotos do evento que ainda não tinham sido copiadas para o iCloud, além de todos os tokens de banco, histórico, etc. Como muitos aqui devem saber, acho que não existe nenhuma perda material tão ruim hoje em dia como um celular.

Chegando ao hotel, peguei meu Apple Watch e decidi voltar ao local do “acidente” para tentar localizar o iPhone utilizando a conexão de ambos — não custava tentar, né? Mais uma vez, nem sinal do aparelho. Depois de algumas pesquisas, verifiquei que a profundidade ali era superior a 20 metros. Tudo o que me restou foi conversar com a líder da comunidade ribeirinha “Coroca”, que ficava ali. Contei o ocorrido e ofereci uma gratificação pelo “resgate” do dispositivo. O domingo terminou e nada, nem sinal dele.

A expedição estava terminando, e eu voltando pra casa sem o meu celular e sem me perdoar por tremendo vacilo (perder o iPhone em um dos lugares mais improváveis e “quase” impossíveis de recuperar). Mas a melhor notícia não demorou a chegar: recebemos um aviso da Dona Sulane (líder da comunidade local) que seu irmão, após muitos mergulhos, havia encontrado um iPhone XS Max já completamente descarregado.

Eu já estava realmente desiludido. Nem acreditava que tinham encontrado meu iPhone sem a ajuda de qualquer tecnologia de localização. Mas ao chegar nas minhas mãos, o “HongKonger” estava realmente vivo! Eu o coloquei pra recarregar e, poucos minutos depois, ele voltou à vida com tudo que tinha direito!

Verificamos internamente e todos os LCIs (sensores de líquido) estavam ativos, afinal de contas foi um bom tempo submerso. O que eu não esperava era que tudo funcionaria tão bem e que esse susto teve um final feliz! Logicamente, as águas do Rio Arapiuns e Tapajós não são salgadas e não sofrem nenhuma interferência do mar, mas com tanta profundidade, recuperar esse iPhone foi realmente histórico!

Espero que, depois dessa, ele esteja valendo um pouco mais num trade-in pelo iPhone 11! 😝😂

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