Review do iPhone 11 Pro Max: a Apple acertou a mão!

Em meu review do iPhone XS Max, no ano passado, deixei claro que ele se tratou de um upgrade “S” — embora tivesse trazido, sim, algumas melhorias mais notáveis do que o esperado.

Desta vez, com a linha iPhone 11, a Apple acertou bem a mão. Tão bem que, excepcionalmente este ano, eu diria que o upgrade pode valer para algumas pessoas que têm o modelo imediatamente anterior — algo muito raro de acontecer.

Não quero dizer, com isso, que a geração deste ano seja perfeita — longe disso. O legal é que, em boa parte das melhorias trazidas pela Apple, a sensação que tivemos é que ela, pela primeira vez em muito tempo, parou e de fato ouviu seus consumidores.

Estou há algumas semanas usando um iPhone 11 Pro Max de 256GB, na cor cinza-espacial, mas farei o meu melhor para cobrir neste review também os aspectos que o diferem dos outros modelos da linha — tanto o 11 Pro quanto o 11 “puro”.

Vamos lá? 😉

Design

Vamos direto ao ponto mais polêmico dos últimos meses em relação ao iPhone 11, que é o seu design. Até já sabíamos sobre uma ou outra novidade que viria este ano antes do lançamento, mas quando falamos de vazamentos antecipados o que mais importa mesmo é o visual da carcaça do aparelho.

Já havia bastante tempo que a repercussão com base nesses vazamentos não era tão negativa. Imagino que a deste ano se equipare somente ao iPhone 4, cujo protótipo encontrado num bar e divulgado pelo Gizmodo na época foi tão polêmico que a maioria das pessoas inclusive nem acreditava ser de fato um smartphone da Apple. (Hoje, há quem diga que é um dos iPhones mais bonitos de todos os tempos… 🤷🏼‍♂️)

O que muitos esquecem é que em boa parte desses vazamentos nós não temos, nem de perto, uma representação fidedigna de como será o aparelho final. Sim, o esquema geral é o mesmo — sabíamos do recorte quadrado e do posicionamento das três câmeras traseiras, mas compare isto aqui:

Ver essa foto no Instagram

O @slashleaks compartilhou o que seriam os moldes dos iPhones “XI” e “XI Max” (os sucessores do XS e do XS Max). Esses moldes físicos são produzidos por algumas fabricantes de cases com base em esquemas vazados e servem basicamente para testar produtos. Não é a primeira vez que vemos esse design de câmera tripla com uma moldura quadrada — que, pelo menos até agora (com base nos mockups e conceitos), não tem agradado muito, não. Enquanto isso, a imagem frontal dos aparelhos nos mostra que, se tudo isso for realmente verdadeiro, o notch continuará com o mesmo tamanho nessa nova geração de iPhones. Veremos o que vem por aí! [via @appleinsider_official]

Uma publicação compartilhada por MacMagazine.com.br (@macmagazine) em

…ao produto final:

Ok, eu até aceito que muitos de vocês ainda não achem ele lindíssimo e não o coloquem, quem sabe, no Top 3 de iPhones mais bonitos da história. Mas, inegavelmente, o produto final é bem mais bacana e equilibrado do que estávamos esperando.

Olhando de frente, os três iPhones deste ano — 11, 11 Pro e 11 Pro Max — são idênticos aos seus antecessores, o XR, o XS e o XS Max. Nem mesmo o recorte (notch) mudou, e obviamente teremos um tópico só sobre o Face ID mais a seguir neste review.

Na traseira, sim, mudanças drásticas:

  • Ainda temos vidro em todos os aparelhos, mas no 11 a Apple usou um acabamento brilhante (glossy) com o recorte quadrado fosco (matte). Já nos iPhones 11 Pro e 11 Pro Max, é o contrário: a traseira é toda fosca, com o quadrado das câmeras brilhante.
  • É importante notar que esse quadrado ainda faz parte do mesmo vidro do resto da traseira. Ele é ligeiramente elevado, mas esculpido a partir de uma peça única de vidro. Esse é o tipo de coisa que não conseguiríamos mesmo ver nos vazamentos antecipados.
  • Com esse novo quadrado grande ali para as câmeras, a Apple achou por bem descer o seu logo da maçã — que agora fica centralizado no aparelho. Além disso, ela tirou a inscrição “iPhone” e, em quase todos os países (onde ela conseguiu autorização, isto é), as marcas regulamentares que ficavam logo abaixo dela.

Além disso, os botões nas laterais do aparelho — que continuam sendo feitas de aço inoxidável nos modelos Pro e de alumínio no modelo de entrada — estão ligeiramente mais para baixo.

Eu gostei muito do aspecto fosco do iPhone 11 Pro [Max], principalmente pelo fato de não deixar marcas de dedo tão visíveis quanto em smartphones brilhantes. Mas, se tivesse participado do projeto de desenvolvimento do aparelho, talvez teria optado por não dar esse acabamento brilhante ao recorte das câmeras; poderia ser um pouco elevado como é, mas também fosco como o resto do aparelho.

Falando nisso, a elevação em si está um pouco menor este ano porque os aparelhos em si ficaram um pouquinho mais grossos. O iPhone 11 Pro Max, por exemplo, ganhou 0,4mm em espessura e ficou 18 gramas mais pesado que o XS Max.

A Apple manteve as clássicas cores cinza-espacial, prateada e dourada nos modelos Pro, mas trouxe como novidade deste ano uma nova chamada verde meia-noite (midnight green) — que ficou sim muito bonita, um estilo sóbrio um tanto militar e que até parece o cinza-espacial a depender da iluminação ambiente.

As quatro cores do iPhone 11 Pro

Como todo ano, a Apple afirma ter criado o vidro mais resistente já colocado num smartphone (e testes comprovam isso, por sinal — embora longe de serem inquebráveis) e também promete uma maior resistência a água, com classificação IP68 para 4 metros submerso por até 30 minutos.

De resto, nada mudou: furinhos para alto-falantes e microfones, porta Lightning, alternador do modo silencioso (havia rumores de que ele ficaria igual ao antigo dos iPads), linhas de antenas e bandejinha para o chip.

Tela e 3D Touch

Ok, foquemos aqui na parte frontal dos novos iPhones.

Em termos de especificações técnicas básicas, nada mudou nas telas dos três aparelhos deste ano. O 11 continua com um LCD1 de 6,1″ com resolução de 828×1792 pixels (326ppp, Retina @2x), enquanto o 11 Pro e o 11 Pro Max têm telas OLED2 de 5,8″ (1125×2436 pixels — 458ppp, Retina @3x) e 6,5″ (1242×2688 pixels — 458ppp, Retina @3x) respectivamente.

Mas todas elas foram aprimoradas, em especial as dos modelos Pro — já eleitas as melhores colocadas num smartphone. A taxa de contraste agora é de 1:2.000.000 e o brilho máximo chega a 800 nits — com picos de 1.200 nits quando reproduzindo vídeos em HDR3. Por isso, a Apple agora chama essa tela de “Super Retina XDR”.

iPhone 11 Pro de frente com wallpaper de água

Todavia, confirmando rumores de meses, a Apple de fato matou o 3D Touch nos iPhones 11 Pro e 11 Pro Max — lembrando que o iPhone XR já não tinha ele, assim como também não tem o 11. Isso significa que as telas não mais são sensíveis a pressão, baseando-se no “novo” Haptic Touch (nome bonitinho para “toque e segure”) para realizar quase tudo que o 3D Touch fazia.

Fiquei pessoalmente chateado com isso, embora não gostasse nem um pouco, por exemplo, da inconsistência de usar um iPhone com 3D Touch e um iPad sem. Aliás, inconsistência certamente foi um fator que pesou bastante para a Apple decidir matar o 3D Touch; ele não só não estava em toda a linha de touchscreens da empresa, como o próprio sistema e apps não o exploravam de maneira decente.

A Apple está fazendo o seu melhor para tornar a experiência com o Haptic Touch similar à do 3D Touch, mas nunca será a mesma coisa. Para mim, certamente o local onde mais sinto falta do 3D Touch é no teclado; para mover o cursor de digitação, agora é preciso tocar e segurar na barra de espaço especificamente. Um claro exemplo de uma experiência que piorou.

Face ID

Se eu tivesse apostado dinheiro com relação às mudanças que viriam no Face ID este ano, teria perdido feio. Em suma: nada mudou, e isso é decepcionante.

Face ID desbloqueado num iPhone 11 Pro

O Face ID chegou ao iPhone na geração X, em 2017. Era natural que no ano passado ele permanecesse igual, mas eu tinha “certeza” de que este ano veríamos a chegada da sua segunda geração com algumas melhorias há muito aguardadas, tais como:

  • Funcionar mesmo com o iPhone na horizontal;
  • Um ângulo de funcionamento significativamente maior, evitando que tenhamos, por exemplo, que inclinar a cabeça sobre a mesa quando queremos desbloquear o aparelho sem pegá-lo nas mãos;
  • Um nível de segurança ainda maior, capaz inclusive de diferenciar irmãos/gêmeos idênticos.

Vejam que não coloquei na lista acima o quesito performance, porque do iPhone X para cá a Apple realmente conseguiu melhorar o que já era bom. No iOS 13, especialmente, o Face ID ficou tão rápido para desbloquear o aparelho que às vezes eu nem sequer mais vejo o ícone do cadeado fechado. Ponto para o time de desenvolvimento de software dela.

De longe, o que mais me incomoda nessa história toda é o Face ID ainda não funcionar com o iPhone deitado. E sabem por que isso é um absurdo total? Porque os iPads Pro do ano passado (sim, lançados em outubro de 2018 — apenas um mês depois dos iPhones XS/XS Max) já têm o Face ID funcionando em qualquer orientação. P****, Apple! O que acontece?!

Entendo perfeitamente que fazer o Face ID funcionar em qualquer orientação num iPad é bem mais importante que num iPhone, e imaginei que no ano passado a Apple não teria conseguido embutir nos iPhones algum tipo de hardware especial extra que tornou isso possível nos iPads. Mas, um ano depois, não dá para entender/aceitar isso. É chato demais estar assistindo a um vídeo, por exemplo, parar por algum motivo e, para continuar, ter que virar o iPhone na vertical de novo. First World Problems®, eu sei, mas estamos falando aqui de um dos smartphones mais caros da atualidade. Temos que ser picuinhas.

Ou seja, em termos do hardware presente ali dentro do notch, praticamente nada mudou de 2017 para cá — não é à toa que o recorte em si continua do mesmo tamanho. O que mudou este ano foi a câmera frontal em si (falaremos dela mais a seguir, claro), que agora tem um ângulo um pouco maior e, por isso, deve ter beneficiado um pouco o funcionamento do Face ID. Mas lhes garanto que isso é quase imperceptível.

Performance e bateria

Juntei performance e bateria no mesmo tópico propositadamente, afinal, neste ano o chip que equipa os novos iPhones — o A13 Bionic (acabou a criatividade pros codinomes, Apple?) — foi desenvolvido com um grande foco em eficiência energética.

Chip A13 Bionic

Não é que o A13 não traga ganhos em performance; ele chega a ser até 50% superior ao Snapdragon 855+, atual suprassumo do mundo Android. Mas, para quem vive no mundo iPhone, é inegável que os chips da Apple já há alguns anos chegaram a um patamar tal que nem faz muito sentido mais ficar discutindo xis porcento de ganhos aqui ou ali. Resumindo: a performance dos aparelhos como um todo é excelente.

O que mais vale, pensando no poder de processamento desses chips (tanto em CPU4 quanto em GPU5, bem como no Neural Engine que é focado principalmente em inteligência artificial, aprendizado de máquina e afins), é o tipo de benefício prático que eles proporcionam na vida dos usuários. Um exemplo simples de entender isso é pelo Modo Retrato dos iPhones, que consegue mostrar o resultado da foto com o fundo desfocado em tempo real; nem o recém-lançado Pixel 4 é capaz de fazer isso (ele, aliás, demora um bom tempo para aplicar o efeito bokeh nas fotos).

iPhone 11 Pro com jogo

Pois bem, sabem o que eu disse lá no começo sobre a Apple ouvir os consumidores? Finalmente, após anos de chacota da concorrência, ela simplesmente transformou os iPhones deste ano nos melhores de todo o mercado em quesito autonomia de bateria. Simples, assim.

Oficialmente, a promessa é de 1h a mais no 11 em relação ao XR (que já era, excepcionalmente, excelente em bateria), 4h a mais no 11 Pro em relação ao XS e 5h a mais no 11 Pro Max em relação ao XS Max. Esses saltos devem-se a uma combinação das otimizações do chip A13 com baterias fisicamente maiores, também — graças aos aparelhos terem ficado um pouco mais grossos e ao 3D Touch ter sido eliminado.

Na prática, é tudo isso que a Apple promete, sim. Em um uso normal do meu cotidiano, tenho terminado o dia com cerca de 60% de bateria no meu iPhone 11 Pro Max. Em outras palavras, posso dizer que ele se tornou um aparelho com autonomia de dois dias. Nice!

Recarga rápida

E a Apple não parou por aí. Também depois de anos de espera, os iPhones 11 Pro e 11 Pro Max agora vêm com um carregador de 18W com entrada USB-C, proporcionando recarga rápida para eles. Com cerca de meia-hora de alimentação, temos 50% de bateria.

O que vem na caixa do iPhone 11 Pro

Mas, como nem tudo são flores, a Apple com sua clássica mesquinhagem restringiu essa novidade aos modelos Pro. Isto é, quem comprar um iPhone 11 ainda receberá o clássico e lento carregador de 5W (que permanece igual desde o lançamento do iPhone original, em 2007). Para usufruir da recarga rápida, é preciso gastar um pouco mais e comprar um carregador decente à parte. Triste.

Algo que era esperado e que pode ter sido cancelado de última hora é a tal chamada recarga bilateral (ou “reversa”), a qual permitiria colocar, por exemplo, AirPods na traseira dos iPhones para recarregá-los usando a bateria do smartphone. O recurso já está inclusive presente em alguns Androids por aí, mas por ora nada nos iPhones.

U1

Além do A13 e de todos os outros chips/sensores que estamos acostumados a ter dentro dos iPhones (como acelerômetro, giroscópio, sensor de luz ambiente e por aí vai), os três modelos da geração deste ano incluem um novo componente que a Apple preferiu nem comentar na apresentação de lançamento deles.

E há um bom motivo para isso. O U1 é um chip de banda ultra-larga que, ao lançamento dos iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max, nem sequer estava sendo usado ainda nos aparelhos. Foi só com a chegada do iOS 13.1, no finalzinho de setembro, que a Apple implementou a primeira funcionalidade que o explora no sistema.

AirDrop com o chip U1 no iPhone 11

Nos novos aparelhos, o AirDrop ganhou uma interface diferenciada que destaca logo em cima a pessoa que estiver mais próxima de você — basta apontar o seu iPhone para o dela. A transferência de dados entre os aparelhos também fica mais rápida e confiável, graças ao U1.

Isso, claro, é apenas o começo. Há grande expectativa para a Apple lançar em breve “tags” que possivelmente poderão ser anexadas a objetos e rastreadas de forma precisa pelo chip, sem falar em outros possíveis recursos que nem sabemos ainda. Há quem veja um potencial gigantesco nele.

Conectividade

A maior novidade em termos de conectividade deste ano é no Wi-Fi, que passa a suportar a versão 6 (802.11ax) com promessa de uma performance até 38% superior. Para usufruir disso, contudo, é preciso que você tenha um roteador compatível com o Wi-Fi 6 — ou seja, é mais uma coisa pensando no futuro.

O Bluetooth continua igual, na versão 5.0, mas agora vale notar que o iOS 13 suporta compartilhamento de áudio entre AirPods e fones da Beats com os chips H1 e W1. Ou seja, você e outra pessoa podem conectar dois pares de fones de ouvido simultaneamente ao iPhone e assistirem a um mesmo filme ou série.

Não é novidade para ninguém, mas é importante constar neste review que nenhum dos novos iPhones suporta redes 5G ainda. Isso é algo esperado somente para 2020, possivelmente quando os smartphones da Apple voltarem a usar modems da Qualcomm.

Sim, pois é: os iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max ainda usam modems da Intel. Como o acordo judicial entre a Apple e a Qualcomm só saiu em meados de abril passado, muito provavelmente o projeto dos aparelhos estava finalizado com protótipos já em testes finais pré-produção.

Isso não significa que os modems que equipam os iPhones sejam ruins — eles trazem suporte a LTE Gigabit com 4×4 MIMO e LAA, inclusive, e aparentemente são 13% mais rápidos que os do ano passado. Mas definitivamente não são os melhores e não são os que suportam o maior número de bandas/frequências num componente só.

Isso significa que o “problema” do ano passado continua: os iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max vendidos nos Estados Unidos não trazem suporte à banda 28 (700MHz APT) do 4G brasileiro. Assista ao vídeo acima e entenda tudo sobre isso.

Assim como no ano passado, todos os novos iPhones contam com suporte a Dual SIM — isto é, têm uma bandeja para chip físico e um segundo chip digital (eSIM). Eu inclusive acabei de testar o recurso durante o MM Tour VIII, foi bem bacana.

Câmera frontal

Não me recordo de um ano sequer que os iPhones não tenham ganhado melhorias em suas câmeras — alguns mais, outros menos significativos. Mas a câmera frontal deles estava há bastante tempo “largada”, como se fosse um componente secundário de menor importância. Bem, estamos na era dos selfies, certo?

A Apple ouviu o clamor da torcida e atualizou a câmera frontal dos novos iPhones de um sensor de 7 para um de 12 megapixels, ainda que tenha mantido a abertura f/2.2.

Com isso, pela primeira vez é possível gravar vídeos em 4K com até 60 quadros por segundo usando a câmera frontal. Além disso, ela também suporta agora filmagens em câmera lenta (Slo-Mo) em Full HD 1080p com até 120 quadros por segundo — permitindo que usuários criem o que a Apple chamou, bizarramente, de “slofies”.

A câmera frontal dos iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max também traz a nova geração sistema de HDR Inteligente da Apple, que promete fotos com um alcance dinâmico ainda superior. A ideia é que a exposição e as cores de áreas diferentes da imagem fiquem sempre bem equilibradas, e na prática isso é perceptível.

Uma outra mudança bem-vinda mas que foi implementada de uma maneira meio esquisita pela Apple é o ângulo do sensor da câmera frontal, que agora é ligeiramente mais aberto do que antes — e que, como citei no tópico sobre o Face ID, deve ter contribuído para o funcionamento dele também.

Digo isso pois, sei lá por que cargas d’água, a Apple resolveu manter a mesma abertura de antes (ou seja, dar um “crop” na imagem) quando o iPhone está na vertical e aí, quando você gira ele para a horizontal, a câmera passa a usar todo o ângulo disponível para facilitar na captura de mais pessoas em selfies.

Opcionalmente, até dá para tocar num botão com duas setinhas na parte inferior da interface do app Câmera ou usar o gesto de pinça (pinch) para alterar pro modo mais aberto mesmo com o iPhone na vertical, mas o problema é que a diferença é tão pequena que eu ainda me pergunto por que a Apple resolveu oferecer isso em vez de sempre usar a abertura maior. Não é, nem de longe, uma diferença tão grande quanto a que há entre as câmeras traseiras.

Posto isso, fico feliz que o iPhone agora tenha uma câmera frontal de respeito. Eu raramente a usava antes justamente por ser tão inferior às traseiras — preferia não ter o benefício de poder enquadrar o selfie olhando para a tela. Agora, isso não é mais preciso.

Câmeras traseiras

Do primeiro iPhone, em 2007, até o iPhone 6s, em 2015, todos os modelos tinham apenas uma única câmera traseira. O iPhone 7 Plus foi o primeiro a incorporar uma segunda (teleobjetiva, com zoom óptico de 2x), o que manteve-se no 8 Plus e depois foi padronizado no X em diante.

Agora, em 2019, a Apple deu uma bela sacudida em todo o conjunto de câmeras traseiras dos iPhones.

No caso dos iPhones 11 Pro e 11 Pro Max, a câmera principal grande-angular (~26mm) foi mantida com uma abertura f/1.8, mas a teleobjetiva (~52mm) passou de f/2.4 para f/2.0. A que agora tem uma abertura f/2.4 é a terceira câmera adicionada aos modelos Pro, uma ultra-angular (~13mm) — a única, por sinal, que não dispõe de estabilização óptica.

iPhone 11 Pro tirando foto

Portanto, agora temos uma lente principal de 1x, uma zoom de 2x e uma super-aberta (quase estilo “olho-de-peixe”) de 0,5x — todas com resolução de 12 megapixels. Isso dá ao fotógrafo muito mais flexibilidade para compor suas imagens, sem ter que dar nenhum passo para frente ou para trás.

Três fotos tiradas em seguidas do mesmo lugar, apenas alternando entre as três lentes. | Observação: tivemos que compactar/otimizar as imagens para a web, senão ficariam muito pesadas aqui no post em resolução original.

No caso do iPhone 11 “puro”, a Apple fez bem em escolher como segunda câmera justamente a nova ultra-angular (e não a teleobjetiva, como antes). Digo isso porque o zoom óptico de 2x até pode ser “falsificado” por um recorte digital, mas a abertura de 120º da ultra-angular, não.

Aproveitando o poder de sobra do A13, a Apple implementou nos aparelhos um recurso de captura de fotos/vídeos “fora da moldura” — que explico no vídeo a seguir:

A Apple também equipou os iPhones de 2019 com uma nova versão do seu flash True Tone, agora até 36% mais brilhante do que antes. Mas sinceramente, com a chegada do Modo Noite (continue lendo…), eu nem pretendo usá-lo. 😉

Posicionamento das lentes

Papos tripofóbicos à parte, talvez o núcleo da polêmica sobre o design dos iPhones deste ano seja a disposição das tais três câmeras traseiras. Muitos acharam a forma como a Apple seguiu “bagunçada”, em vez de adicionar a terceira lente abaixo da segunda numa linha só vertical.

Recorte quadrado da câmera do iPhone 11 Pro em detalhe

Bem, eu até concordo que esse design esteja longe, muito longe de ser o mais belo quando consideramos sistemas triplos de câmeras em smartphones. Mas, claramente, o que a Apple fez aqui foi priorizar a função em vez da forma.

Explico: do jeito que foram dispostas, as três lentes são equidistantes — isto é, a distância entre uma e a outra é sempre a mesma. E há um motivo muito importante para isso ser assim: evitar aqueles “pulos” quando você está alternando entre uma câmera e a outra ao dar zoom em vídeos.

Essa pequena variação que existe entre uma lente e outra certamente pode ser compensada por software, algo que já não seria possível caso o usuário alternasse entre uma câmera lá em cima para a de baixo, numa disposição vertical.

Modo Retrato

Com exceção do XR, todos os iPhones sempre basearam seu Modo Retrato (que desfoca o fundo da imagem tal como quando usamos lentes em DSLRs com abertura grande) nas duas lentes. Ou seja, o sujeito — que pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto — era capturado pela teleobjetiva e os dados para desfocar o fundo, pela grande-angular.

Agora que temos três lentes nos modelos Pro, fica a cargo do usuário tirar seus retratos como antes (em 2x) ou agora também em 1x — ou seja, o sujeito será capturado pela grande-angular e os dados de desfoque, pela ultra-angular.

Falando nisso, o Modo Iluminação de Retrato ganhou no iOS 13 uma sexta opção chamada Luz Brilhante Mono. Ela faz basicamente a mesma coisa da Luz de Palco Mono, só que em vez de colocar o sujeito sobre um fundo preto, coloca-o sobre um branco.

O efeito, quando funciona bem, é bacana.

Modo Noite

Lembro, quando discutíamos sobre a tardia implementação da recarga por indução (padrão Qi) no iPhone, que a nossa expectativa era de que a Apple viria com algo melhor e diferente de tudo o que já havia no mercado. Não foi o que aconteceu.

Felizmente, com o Modo Noite, ela fez o que esperamos da Apple: pegou algo que já existia e fez melhor. E digo isso sob alguns aspectos.

O principal deles claro, diz respeito à qualidade das imagens. Desde que o Google colocou o Night Sight no Pixel, acho isso tudo uma grande bruxaria — e os engenheiros da Apple certamente não perderam tempo: foram buscar seus certificados em Hogwarts.

A bruxaria do Modo Noite dos novos iPhones é topo-de-linha, iluminando muito bem ambientes com baixíssima luz, preservando detalhes inacreditáveis mas, acima de tudo, não transformando a noite em dia. Isso era algo que me incomodava um pouco em smartphones da concorrência.

Outro toque bem Apple-like ao Modo Noite é que, nos iPhones, ele é totalmente automático. Não há um novo modo separado para ele no app Câmera; quando o smartphone percebe que há pouca luz no ambiente, ele mostra um ícone do Modo Noite no canto superior esquerdo da tela e você tem, é claro, a opção de desligá-lo se quiser.

A fim de capturar o máximo de luz possível para essas fotos noturnas, os smartphones requerem um tempo de exposição maior que o normal e, nos iPhones, isso fica bem claro na interface do usuário. Quando você bate a foto, uma animação mostra uma contagem regressiva (normalmente de 2-3 segundos) durante a qual você deve permanecer o mais estável possível. Qualquer “tremidinha” é compensada pela estabilização óptica da câmera e, novamente, pela bruxaria do software.

Da esquerda para a direita: iPhone XR, iPhone 11 Pro Max com flash, iPhone 11 Pro Max normal e iPhone 11 Pro Max com Modo Noite. | Observação: tivemos que compactar/otimizar as imagens para a web, senão ficariam muito pesadas aqui no post em resolução original.

Se você apoiar o seu iPhone sobre algo ou colocá-lo num tripé, o sistema também entende isso automaticamente e permite que você tire uma foto com exposição de até 30(!) segundos. Dá para capturar algo como isto aqui, ó:

Talvez a única parte chata de todo o Modo Noite seja o fato de que ele não funciona com a lente ultra-angular. O motivo disso muito provavelmente é a ausência de estabilização óptica nela, que deve ajudar muito na compensação de pequenas tremidas ao bater fotos com longa exposição. Mas a Apple poderia habilitar a função na ultra-angular pelo menos quando o iPhone fosse usado num tripé, por exemplo.

Não tinha como 2019 passar e a Apple não trazer o seu próprio Modo Noite para os iPhones. E eu fiquei muito, muito contente com o conjunto da obra.

Deep Fusion

No momento em que este review está indo pro ar, a última versão estável do iOS é a 13.1.3. Mas já está em testes, em sua terceira versão beta, o iOS 13.2 — e, com ele, virá um novo recurso para os iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max que a Apple apresentou como “sneak peek” na keynote de lançamento.

O nome dele é Deep Fusion, e não é algo lá muito simples de explicar — porém o que importa é que ele funcionará de maneira similar ao Modo Noite, só que em situações de luminosidade ambiente um pouco melhor, e gerar imagens incrivelmente nítidas e detalhadas.

Ao menos na atual beta do iOS 13.2, o Deep Fusion é ainda mais automatizado que o Modo Noite. Não há nada na interface para ligá-lo ou desligá-lo, e é até difícil saber quando ele atuou numa determinada imagem.

Mas, na prática, o que o Deep Fusion fará é usar informações de múltiplas lentes dos novos iPhones aliadas a muito aprendizado de máquina e algoritmos complexos de processamento gráfico para, em poucos segundos, gerar imagens como as duas vistas acima.

Se a Apple chegou atrasada na brincadeira do Modo Noite, é possível que o Deep Fusion a coloque à frente de toda a concorrência em termos de visão computacional e processamento de imagens.

Captura de vídeos

Na captura de vídeos, que os iPhones já deixam a concorrência toda comendo poeira, também temos melhorias. Agora, eles são capazes de capturar filmes em 4K com 60 quadros por segundo com alcance dinâmico estendido, o que antes só era possível até 4K30.

Não só isso, mas os novos iPhones também incorporam um recurso bem legal de “zoom de áudio” para vídeos que demonstramos nesse post.

Provavelmente reconhecendo o funcionamento de apps como o Instagram, em que você toca no círculo disparador para tirar uma foto, e toca+segura para filmar, a Apple levou esse mesmo conceito ao app Câmera dos novos iPhones por meio um recurso que ela chamou de QuickTake (não, não essa).

QuickTake, recurso dos iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max

As opções agora são essas, portanto:

  • Tocar no botão: tira foto.
  • Tocar e segurar no botão: começa a filmar até você soltar o botão. Se deslizar para a direita, ele “trava” no modo de filmagem e você pode então tirar o dedo da tela.
  • Deslizar o botão para a esquerda: dispara múltiplas fotos em sequência no Modo Burst — que era exatamente o que acontecia antes quando tocávamos e segurávamos no botão.

Mais exemplos de fotos

A seguir, uma galeriazinha com mais exemplos de fotos capturadas com o iPhone 11 Pro Max. Clique/toque para ampliá-las:

Extras

Mais alguns pontos/observações que não entraram em outros tópicos do review, mas que valem constar aqui:

  • Nada mudou nas opções de capacidade dos iPhones 11 Pro e 11 Pro Max — os três são oferecidos em 64GB, 256GB ou até 512GB; já o iPhone 11 é vendido em 64GB, 128GB ou 256GB.
  • A Apple incorporou suporte a Dolby Atmos e a “áudio espacial”, proporcionando uma experiência de som superior (mais “tridimensional”) em conteúdos compatíveis.
  • Pela primeira vez, a Apple está vendendo agora também uma case transparente para os iPhones 11 Pro e 11 Pro Max. Foi a que eu escolhi, por sinal.

Assista também a esse outro vídeo nosso:

Conclusão

É inegável que, todo ano, o iPhone recebe melhorias e aqui e ali. A depender do uso que você faz do aparelho, algumas delas lhe interessarão mais ou menos. Mas são poucas as vezes que eu finalizei um review indicando o upgrade para quem tem o modelo imediatamente anterior.

Pensando aqui rapidamente, saltos assim aconteceram em 2010, com o iPhone 4, que trouxe a primeira tela Retina; em 2014, com os iPhones 6/6 Plus, que vieram com novos designs com telas maiores; talvez em 2016, com o iPhone 7 Plus e sua câmera dupla com Modo Retrato; e em 2017, com o iPhone X e a sua tela ocupando toda a parte frontal do aparelho com Face ID. Se pararmos para olhar para toda a história do iPhone, não são lá muitos exemplos.

E sim, estou colocando o iPhone 11 [Pro/Pro Max] nesse bolo.

iPhones 11 Pro e 11 Pro Max em todas as cores de trás

Temos sempre que analisar o conjunto como um todo (design, tela, chip, etc.), mas há duas coisas que certamente se destacam muito este ano e são motivo para quem tem um iPhone XR, XS ou XS Max se interessar em trocar por um 11, 11 Pro ou 11 Pro Max: bateria e câmeras.

Bateria é algo básico em qualquer smartphone e por muitos anos sofremos com iPhones que iam ficando cada vez mais finos e leves (seria uma obsessão de Jony Ive, talvez?), e como consequência disso não tinham baterias respeitáveis. Este ano, os três modelos estão excelentes nesse sentido. Todos são aparelhos que, salvo uso muito atípico/intenso, têm baterias que duram pelo menos um dia inteiro.

Quanto às câmeras, ache você horrível o tal quadrado ou não, mas elas ficaram inegavelmente sensacionais. Todas melhoraram muito em qualidade, temos agora mais flexibilidade do que nunca com as três diferentes distâncias focais, a Apple acertou muito a mão no Modo Noite e ainda em breve teremos de quebra uma tecnologia mágica chegando aí com o Deep Fusion.

iPhone 11 Pro Max na cor verde meia-noite inclinado na diagonal

Mas óbvio, isso tudo é para quem realmente acha que vale investir o seu suado dinheiro num aparelho caro como esse. Pensando no geral, é sempre mais interessante só fazer a troca de iPhone a cada 2-3 anos ou mais; nesses casos, as mudanças entre gerações se tornam muito, muito mais perceptíveis.

O fato é que quem comprar um desses vai adorar o brinquedinho. A Apple mandou muito bem e mal posso esperar para ver o que ela está preparando para o ano que vem. 😃


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