Phil Schiller fala sobre novo MacBook Pro e o futuro do teclado borboleta em entrevistas Ele ainda aproveitou o holofote para criticar os Chromebooks

Depois de meses de especulação, a Apple finalmente lançou hoje o tão comentado MacBook Pro de 16 polegadas com várias novidades — a principal delas, o triunfal retorno do teclado com mecanismo tesoura, aqui chamado de Magic Keyboard (sim, isso vai dar confusão com o teclado externo vendido pela própria Maçã).

E, como vocês já sabem, lançamentos da Apple significam entrevistas com executivos da empresa. Não foi diferente dessa vez: Phil Schiller, vice-presidente sênior de marketing global da Maçã, conversou com a CNET sobre o novo MacBook Pro, seu teclado e alguns outros aspectos.

O executivo justificou o abandono do criticado mecanismo borboleta, presente em todos os MacBooks dos últimos anos, na mais nova criação da empresa — e notem a retórica milimetricamente calculada de Schiller para não admitir o problemão que os teclados borboleta causaram.

Como vocês sabem, há alguns anos nós criamos uma nova tecnologia de teclado com o mecanismo borboleta e a estreamos no MacBook. Ela fazia algumas coisas muito bem, como criar uma plataforma mais estável para cada tecla. O teclado era muito mais firme e plano nos seus dedos — algumas pessoas gostaram, outras nem tanto. Foi uma reação mista. Tivemos alguns problemas de qualidade com os quais precisamos lidar. Com os anos, nós refinamos esse design; agora estamos na terceira geração e muito mais gente está bem mais satisfeita com nossos avanços.

Mas há alguns anos, nós decidimos que, ao mesmo tempo em que avançaríamos o teclado borboleta, também — especificamente para nossos consumidores profissionais — conversaríamos com usuários avançados sobre o que eles queriam mais num teclado, e fizemos muita pesquisa. Foi um projeto impressionante, a forma em que a equipe de engenharia se aprofundou na fisiologia e na psicologia da digitação — o que as pessoas amam.

Foi daí, então, que surgiu a ideia de adaptar o Magic Keyboard no MacBook Pro:

Conforme nós fomos investigando o que os usuários profissionais mais queriam, muitas vezes eles diziam “eu quero algo como o Magic Keyboard, eu amo aquele teclado”. Então a equipe trabalhou na ideia de pegar aquela tecnologia básica e adaptá-la para o notebook, que exige uma implementação diferente de um teclado para desktop.

Frame do novo MacBook Pro

Agora, a pergunta que não quer calar: a Apple colocará esse novo teclado nos demais modelos de MacBook? Infelizmente, Schiller não compartilhou essa informação, afirmando apenas que a Apple “manterá” os dois tipos, por ora — o que, por si só, não quer dizer muita coisa. Mas levando com consideração que *todos* os teclados borboletas fazem parte do recall da empresa, eu arriscaria que ele sumirá dos produtos Apple em breve.

Nós estamos fazendo as duas coisas: avançando o teclado borboleta e criando esse novo Magic Keyboard para nossos notebooks Pro.

O executivo também compartilhou algumas das mudanças práticas no novo teclado.

Nós tivemos que melhorar o design do domo de borracha debaixo da tecla para criar a sensação e a pressão no ponto certo. Tivemos que aumentar a profundidade da digitação no notebook para cerca de um milímetro porque muitos usuários profissionais gostam dessa profundidade um pouco maior, e ao mesmo tempo colocá-la num design leve e fino.

Sobre a reação negativa sofrida pelos teclados borboleta ao longo dos últimos anos, Schiller desconversou:

Sempre temos a algo aprender para tornar um produto melhor, não importa o feedback, então o que podemos fazer para torná-lo melhor? Podemos melhorá-lo seguindo as linhas do que já temos, ou precisamos ir em outra direção? E para quem? A equipe tomou seu tempo para investigar, pesquisar, explorar e reinventar. Eles aprenderam muito nessa área nos últimos anos.

Schiller também falou sobre a perspectiva de, eventualmente, colocar uma tela sensível ao toque no Mac, algo que ele considera desnecessário: “Esse esforço de engenharia é melhor gasto fazendo com que o Mac tenha a melhor experiência de teclado e trackpad possível.” O executivo também rechaçou a ideia de que o Mac e o iPad se fundirão em breve.

Por fim, Schiller não perdeu a oportunidade de dar uma boa cutucada nos Chromebooks. Após citar o sucesso dos MacBooks nas escolas e universidades, o executivo foi questionado sobre sua perspectiva em relação aos computadores rodando Chrome OS, também muito populares entre estudantes e professores. Sua resposta foi no mínimo pontiaguda:

Crianças que realmente gostam de aprender e querem aprender terão maior sucesso. Não é difícil de entender por que crianças não se envolvem numa aula se a tecnologia não for aplicada de uma maneira que as inspirem. Você precisa ter essas ferramentas mais avançadas para ajudar as crianças a alcançarem seus melhores resultados.

E os Chromebooks não fazem isso. Chromebooks são populares na sala de aula porque, francamente, eles são ferramentas baratas para que as crianças façam provas. Se tudo o que você quer fazer é aplicar provas para as crianças, bom, talvez um notebook barato faça isso. Mas aí elas não vão ter sucesso.

Pesado, hein? A entrevista não pegou bem e Schiller teve que “se retratar”:

Toda criança tem a capacidade de ter sucesso — ajudá-las a fazer isso sempre foi nossa missão. Na conversa completa com a CNET, discutimos sobre conteúdo, currículo e ferramentas que crianças e professores precisam para aprender, explorar e crescer. Não apenas para fazer um teste.

A entrevista completa de Schiller pode ser lida aqui.

Entrevista para YouTuber

Ainda no mesmo assunto, vale conferir a entrevista em vídeo dada por Schiller a Jonathan Morrison:

Entre as partes mais interessantes do vídeo, vale pular para os 3’50” e conferir Schiller falando sobre o produtos da Apple que mais usa (justamente um MacBook Pro de 15 polegadas, que em breve será substituído pelo novo modelo), ou para os 8’45” e ouvir o executivo falar sobre a performance do novo computador, notando que a Apple trabalhou com afinco para reduzir as ocorrências de thermal-throttling1 e atingir potência máxima sempre que preciso.

Vale destacar também a pergunta de Morrison sobre uma possível volta da porta SD, cuja morte ainda é lamentada por usuários profissionais (especialmente fotógrafos e cinegrafistas) ao redor do mundo. Schiller, sem muitas surpresas, afirmou que não há quaisquer planos relacionados a isso — ou à volta de qualquer outra conexão física que não a Thunderbolt.

Provavelmente não — de novo, nada sobre o futuro está gravado em pedra e as coisas sempre podem mudar. Mas nós passamos muito tempo com o MacBook Pro pesquisando o uso dos nossos consumidores, que conexões eles precisam, onde suas necessidades estão crescendo e como elas estão mudando. Fizemos muitos questionamentos internos sobre isso e perguntamos a nós mesmos sobre muitos conectores, como USB-A, leitores SD ou HDMI.

No fim das contas percebemos que, cada vez mais, os consumidores estão tirando proveito da USB-C e da Thunderbolt. Eles amam a capacidade de performance que ele têm, a energia e a capacidade de carregamento que ele oferece. Então nós acreditamos que colocar quatro portas Thunderbolt nos nossos notebooks mais caros abre mais possibilidades para as coisas que você fará nos anos a seguir. A contrapartida é que, para algumas pessoas que ainda usam mídias tradicionais, como cartões SD, isso significa carregar adaptadores — eu carrego um exatamente para isso. No fim das contas, esse esquema dá aos consumidores a maior performance e a maior flexibilidade.

Que tal?

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