Steve Jobs com MacBook Air

Entre as dezenas (ou centenas) de aquisições feitas pela Apple, alguns de vocês (que acompanham o MacMagazine há mais tempo) deverão se lembrar que, no início de 2010, a gigante de Cupertino fechou um acordo de US$275 milhões para adquirir a Quattro Wireless, uma empresa especializada em publicidade móvel. Alguns meses depois, naquele ano, a Maçã decidiu encerrar as atividades da Quattro em prol de uma nova plataforma: a iAd.

Apesar de toda essa agitação, os bastidores e os detalhes da compra da Quattro pela Apple foram mantidos entre quatro paredes — aparentemente, por nenhum motivo específico. Agora, o fundador da então empresa de publicidade, Andy Miller, forneceu uma (extensa) entrevista — via 9to5Mac —, na qual conta uma história nunca relatada do processo de aquisição da Quattro e como era o estressante trabalho ao lado do cofundador da Apple, Steve Jobs.

Sobre a aquisição da Quattro, Miller conta que Jobs telefonou para ele “do nada”, em 2009, para fazer uma proposta. Inicialmente, o executivo pensou que aquilo não passava de uma brincadeira (provavelmente por conta dos trotes de telefone imaginários atribuídos ao CEO da Apple) mas, posteriormente, Jobs entrou em contato novamente com Miller, o convocando para uma reunião.

Tal encontro também teve suas peripécias: em uma atitude intimidadora, Miller lembrou que, ao concordar com o preço de aquisição de US$325 milhões, Jobs “voltou atrás” no acordo e estabeleceu o preço de compra em US$275 milhões, ameaçando banir o SDK1 da Quattro do iOS se a nova oferta não fosse aceita — e nós já sabemos como isso terminou.

Como é possível imaginar, a adoção da iAd não aconteceu do dia pra noite, e basicamente desde a incorporação da Quattro à Apple, a equipe de Miller foi incumbida de criar exemplos de anúncios que demonstrassem o potencial da plataforma. Em uma dessas exibições para a equipe executiva da Maçã, Miller relembrou a seguinte passagem que, apesar de trágica, terminou de maneira cômica:

Após cerca de 10 minutos [de apresentação], todo mundo estava rindo, exceto Steve, e eu pensei que ele era louco. Jobs tinha odiado as marcas por serem de baixa qualidade e não refletirem a estética sofisticada da Apple. Depois de várias rodadas assim, ele me chamou no seu escritório e pediu uma nova demonstração. Ele finalmente disse para eu sair da sua frente e procurar o departamento de marketing, que organizaria anúncios melhores. Eu rapidamente recolhi meus pertences e, sem perceber, guardei acidentalmente o laptop e o mouse de Steve na minha bolsa.

Chegando ao departamento de marketing da Apple, Miller notou que a equipe já estava trabalhado em anúncios com marcas que eles sabiam que Jobs iria gostar (como Disney, Dyson e Target). Porém, durante o processo, dois seguranças entraram na sala e passaram um telefone para ele — do outro lado da linha estava Jobs, que foi categórico ao indagá-lo sobre o “furto” do seu notebook.

Miller explicou o engano e conseguiu convencer Jobs de que ele não havia pegado seu notebook de próposito, nem visto seus segredos, devolvendo-o aos seguranças. Apesar disso, ele achou que fosse ser demitido e contou que somente depois de toda essa fuzarca, notou que não havia devolvido o mouse de Jobs — o qual ele disse guardar até hoje.

Dá pra imaginar? 😛

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