Após lançamento conturbado do iOS 13, a Apple promove mudanças internas no desenvolvimento

Por mais que a gente ache que não, a nossa memória no geral não é lá muito boa. Há apenas dois anos, no iOS 11, tivemos um lançamento bastante conturbado e criticado. A Apple prometeu corrigir todas as suas falhas e felizmente cumpriu isso com o iOS 12, um dos updates mais elogiados dos últimos tempos.

Infelizmente, o iOS 13 este ano superou o 11 em deslizes — não é à toa que, em apenas dois meses, ele já recebeu oito(!) atualizações. A mais recente, a 13.2.3, saiu na última segunda-feira (18/11) — e o iOS 13.3 já chegou à sua terceira versão beta em paralelo; muito provavelmente, ele será liberado para todos os usuários em algum momento de dezembro.

Por um lado é bastante positivo ver a Apple reconhecendo o estado crítico em que o iOS 13.0 veio ao mundo e correndo para corrigir todos os bugs o mais rápido possível. Pessoalmente, não vejo problema nenhum em ela liberar quantos updates forem necessários para melhorar o sistema, afinal, é ridículo de fácil e rápido aplicar uma atualização do iOS hoje em dia. Ora, se você quiser o sistema faz isso automaticamente para você enquanto estiver dormindo.

Mas claro, o ideal era que o iOS 13.0 tivesse vindo ao mundo (bem) mais polido do que veio. Não existe software perfeito, certamente teríamos recebido alguns updates deste então — mas provavelmente não oito, e não com esse clima “desesperado” para corrigir falhas claramente inadmissíveis.

Mudanças internas

É por isso que, para o iOS 14 (que tem codinome interno “Azul”), a Apple decidiu alterar a maneira como desenvolve seus sistemas operacionais internamente — incluindo também iPadOS, macOS, watchOS e tvOS, claro. As informações foram obtidas pela Bloomberg, após uma reunião interna realizada recentemente pelo chefão de software da Apple, Craig Federighi.

Até agora, os chamados “daily builds” dos sistemas (isto é, novas compilações de testes que são geradas diariamente pelas equipes de desenvolvimento da Apple) iam incorporando novos recursos a torto e a direito, independentemente do seu estágio de desenvolvimento. Aí, aos poucos, tudo ia sendo polido para um lançamento final.

O grande problema desse método é que ele torna muito complicado ter uma noção real do que está de fato pronto para lançamento e o que não está, sem falar que muitos recursos acabam às vezes afetando negativamente outros que já estavam funcionando bem.

Para os sistemas operacionais do ano que vem, Federighi e sua equipe estão incorporando um sistema de “Flags” que exigirá que recursos novos tenham que ser habilitados manualmente numa área especial dos sistemas internos. Assim, ficará mais fácil identificar o que está causando problemas e até cancelar ou adiar uma possível novidade para o sistema do ano seguinte.

Por ora, o plano da Apple é trazer para o iOS 14 um número de novidades tão grande quanto o do iOS 13. Mas a empresa está totalmente disposta a adiar certos recursos para o iOS 15, se necessário.

Bastidores do iOS 13

A reportagem da Bloomberg ainda traz algumas informações de bastidores sobre o desenvolvimento do iOS 13. Segundo fontes ouvidas pelo veículo, na época da Worldwide Developers Conference (WWDC) 2019, em junho, times internos da Apple já reconheciam que o sistema estava “uma bagunça”.

Em agosto, poucas semanas antes do prazo para finalizarem o iOS 13.0 que seria instalado nos iPhones os quais seriam anunciados em setembro (hoje conhecidos como 11, 11 Pro e 11 Pro Max), engenheiros da Apple praticamente decidiram “abandonar” os esforços em poli-lo e focaram-se no iOS 13.1 — que, felizmente, acabou sendo antecipado e foi lançado apenas cinco dias após o 13.0.

Para o time de desenvolvimento interno da Apple, o iOS 13.1 foi de fato a versão oficial de lançamento do novo sistema. O iOS 13.0 só saiu porque tinha que estar instalado nos novos iPhones, e a Apple esperava que apenas “fanáticos” o instalariam em seus dispositivos.

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