Ontem, nós informamos que a Apple anunciou o início das construções do seu novo campus de US$1 bilhão em Austin, no Texas. No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou outra instalação da Maçã (a alguns quilômetros de distância do novo campus) na cidade, onde o novo Mac Pro está sendo montado.

A visita de Trump, porém, não foi um simples cortejo de Washington para o Texas: como sabemos, a Apple está no olho da guerra comercial entre os EUA e a China, de forma que diversos produtos da companhia importados do oriente já estão sendo tarifados pela Casa Branca.

Sendo assim, o tour de Trump à fabrica da Maçã foi mais uma oportunidade para a Apple colocar panos quentes sobre a “situação da China” e, quem sabe, receber uma segunda chance do fanfarrão presidente americano quanto aos produtos que já estão sendo taxados — o que pode ter vindo a calhar, ou não.

Visita à fábrica

O fato é que a visita à fábrica em Austin foi rodeada por peripécias e declarações “para inglês ver”, a exemplo da alegação de Trump abaixo, na qual o presidente inferiu ter “inagurado uma fábrica da Apple no Texas”.

Hoje eu inaugurei uma grande fábrica da Apple no Texas, que trará empregos com altos salários de volta à América. Hoje Nancy Pelosi fechou o Congresso porque não se importa com os trabalhadores americanos!

Além disso, durante a visita, o presidente Trump, acompanhado do CEO1 da Apple, Tim Cook, disse que “um dia veria a Apple construindo fábricas nos EUA, e não na China”.

O presidente @realDonaldTrump visitou a fábrica da @Apple em Austin, no Texas, com o CEO da Apple, @tim_cook, hoje! 🍏

Como destacado pelo jornalista do New York Times Jack Nicas, há algumas inconsistências nos discursos de Trump: primeiramente, a Apple não construiu nenhuma fábrica no território americano (vale destacar que campi não são fábricas); em segundo lugar, o local de manufatura que Trump visitou — onde é montado o novo Mac Pro — existe desde 2013 e surgiu de um acordo entre a Apple e a Flextronics.

Presidente Trump: “Eu disse: ‘Algum dia, veremos a Apple construindo fábricas em nosso país, não na China. E é isso que está acontecendo.”
Isso é falso. A Apple não construiu nenhuma fábrica nos EUA e ainda produz a grande maioria de seus produtos na China.
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A fábrica que o presidente visitou hoje com @tim_cook pertence e é administrada por uma empresa chamada Flextronics. Ela fabrica computadores Apple desde 2013. Pouco mudou por lá.

Essa fábrica emprega cerca de 500 pessoas no Texas. Os fabricantes chineses da Apple empregam milhões de pessoas.

Durante a visita, Cook agradeceu ao presidente e ao seu governo por seu trabalho para que fosse possível à Apple chegar onde chegou, afirmando que “isso não seria possível sem eles”:

Gostaria de agradecer particularmente ao presidente Trump, ao secretário Mnuchin e a Ivanka e aos outros membros do governo. Sou grato pelo apoio deles que nos trouxe até aqui. Isso não seria possível sem eles.

O executivo da Maçã também foi incentivado por Trump a constatar que a economia americana é a “mais forte do mundo” após receber elogios do presidente americano, o qual disse que nenhuma empresa se compara à Apple:

Trump: Tim estava dizendo que está iniciando essa nova e grande construção no Texas. Mas ele também me disse algo sobre a economia americana, porque ele está pelo mundo todo. Eu diria que não há ninguém que está mais em todo o mundo do que a Apple. O que você diria sobre nossa economia em comparação com todos os outros [países]?

Cook: Acho que temos a economia mais forte do mundo no momento.

Sobre talvez o assunto mais importante para a Apple, as tarifas dos produtos importados da China, Trump disse que está “pensando” na possibilidade de isentar a Maçã da nova rodada de taxas que entrará em vigor no próximo mês. Ele relembrou também o fato de que, ao tarifar iGadgets, estaria favorecendo a Samsung, uma vez que os produtos da gigante são fabricados na Coreia do Sul.

Estamos vendo isso. O problema é que temos a Samsung, que é uma ótima empresa, mas é uma concorrente da Apple, e não é justo [tarifar os produtos da Samsung] pois fizemos um ótimo acordo comercial com a Coreia do Sul. Mas temos que tratar a Apple de maneira semelhante à Samsung.

Mac Pro

Políticas à parte, o encontro de Cook e Trump e a visita à fábrica de montagem do Mac Pro rendeu algumas revelações inéditas. Entre elas, foi possível observar como é a embalagem da nova workstation da Maçã.

https://twitter.com/IvankaTrump/status/1197284940817321985
Apresentando o NOVO Mac Pro da @Apple!
Orgulhosamente produzido nos EUA! 🇺🇸

É possível notar que o novo Mac Pro vem em duas caixas presas uma à outra e acessível por duas alças nas laterais, que permitem carregá-lo; no interior, a workstation é embalada para evitar choques e, a julgar pelas imagens, é provável que as unidades com rodinhas na parte inferior já serão enviadas com elas pré-instaladas.

Um vídeo publicado pelo presidente americano também mostra um pouco mais do processo de montagem do Mac Pro e exibe, por alguns segundos, a embalagem do computador.

Entrevista com Cook

Em entrevista para a ABC News, Cook conversou sobre um espectro de assunto envolvendo a nova instalação bilionária em Austin, a fabricação do Mac Pro e a guerra comercial entre os EUA e a China.

Naturalmente, ele aproveitou a oportunidade para destacar a estrela (e supostamente o objetivo da visita do presidente americano à fábrica em Austin) do momento: o Mac Pro.

O que você está vendo aqui, o Mac Pro, é 15.000 vezes mais poderoso que o Mac original e pode executar 56 trilhões de tarefas por segundo. É absolutamente incrível. Não poderíamos estar mais orgulhosos de um produto. É um exemplo de design americano, fabricação americana e engenharia americana.

Cook se recusou a comentar sobre como as próximas tarifas da China podem impactar o iPhone, reafirmando suas esperanças de que os EUA e a China cheguem a um acordo.

Estou convencido de que é o que for do melhor interesse dos EUA e da China, acontecerá, e por isso, se você tem duas partes em que existe um melhor interesse comum, deve haver algum tipo de caminho a seguir.

O executivo se adiantou a muitas das críticas que poderia sofrer pelo encontro com Trump e explicou, indiretamente, que ele prefere “conversas diretas”, afirmando desprezar a polarização.

Não gosto que as pessoas falem em meu nome… não acredito em lobistas. Eu acredito em conversa direta. Eu acredito firmemente no engajamento. Eu odeio polarização. Eu desprezo isso.

Quanto às aquisições da Apple, Cook olha para o futuro com otimismo, afirmando que a companhia não está de olho em nada grande, e sim em “muitas pequenas coisas interessantes”.

via CNBC, AppleInsider

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