Apple compara futura lei russa a jailbreak; projeto é assinado por Putin Informalmente, a legislação é conhecida pelos representantes russos como "lei anti-Apple"

Há duas semanas, falamos aqui sobre um projeto de lei da Rússia que ameaçaria as operações da Apple no país ao obrigar que todo dispositivo eletrônico estrangeiro vendido por lá viesse de fábrica com software local pré-instalado. Bom… aparentemente, a coisa toda está avançando — e a Maçã não está nada satisfeita com isso.

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De acordo com a Reuters, o presidente Vladimir Putin assinou na última segunda-feira (2/12) o projeto de lei, criado por uma comissão suprapartidária da Assembleia Federal Russa. Com isso, a partir do dia 1º de julho de 2020, todos os smartphones, tablets, computadores e smart TVs estrangeiros vendidos no país precisarão, obrigatoriamente, vir com software russo — seja em substituição ou em adição aos aplicativos tradicionais dos aparelhos.

Nos próximos meses, o governo fará a lista específica dos tipos de dispositivos eletrônicos que serão afetados pela lei; uma outra relação definirá os aplicativos e softwares que deverão ser instalados nos aparelhos. A legislação não é unânime, entretanto: o Ministério de Comunicações da Rússia se recusou a apoiar o projeto, afirmando que ele limitaria os direitos dos consumidores.

Oficialmente, a justificativa para a legislação é fortalecer o mercado de TI local e dar aos cidadãos russos mais opções na hora de escolher seus serviços digitais, mas as notícias, obviamente, foram mal-recebidas pelas fabricantes que operam na Rússia. O mercado de eletrônicos do país é dominado por empresas estrangeiras, especialmente americanas e asiáticas; representantes de algumas delas afirmaram, anonimamente, que a decisão do governo foi tomada sem consulta a elas.

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De acordo com o jornal russo The Bell [Google Tradutor], o projeto é referido informalmente entre os legisladores como a “lei anti-Apple”, já que a empresa de Cupertino é a mais fechada em termos de software — e aquela que, muito provavelmente, não cederá às exigências do governo para vender iPhones, iPads e Macs com software que não seja seu próprio.

Ao Kommersant, uma fonte anônima da Apple comparou a lei russa à prática do jailbreak — isto é, abrir espaço para a instalação de software externo de fábrica nos seus produtos representaria o mesmo risco de segurança de desbloquear iPhones e iPads.

Uma exigência de adicionar aplicativos de terceiros ao ecossistema da Apple seria equivalente a fazer jailbreak nos dispositivos. Tal prática representaria uma ameaça de segurança, e a empresa não pode tolerar esse tipo de risco.

Ou seja, a Apple parece estar irredutível na sua posição. Vai ser interessante ver o que acontecerá nos próximos meses, portanto — vamos aguardar.

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via Engadget | imagem: Dzambic Photography / Shutterstock.com

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