Recursos de privacidade tornam usuários do Safari menos valiosos para anunciantes Valor médio do anúncio direcionado a um usuário do browser caiu 60% em dois anos

Talvez você nunca tenha ouvido falar de um recurso do Safari chamado Prevenção Inteligente de Rastreamento (Intelligent Tracking Prevention, ou ITP), mas ele certamente é um dos aspectos mais importantes do navegador da Apple. Por meio dele, a Maçã pode reforçar sua instância a favor da privacidade do usuário e contra o rastreamento online com a aplicação de uma série de técnicas para que anunciantes e trackers tenham mais dificuldade para lhe identificar e direcionar propagandas.

Dois anos depois do lançamento do recurso, a coisa toda parece ter surtido muito efeito: de acordo com uma reportagem publicada hoje pelo The Information1, o ITP fez com que o custo médio de um anúncio direcionado a um usuário do Safari caísse cerca de 60% desde o lançamento da ferramenta.

De acordo com a matéria, apenas 9% dos usuários do Safari desligam o ITP, enquanto 79% dos usuários do Chrome permitem que cookies e trackers sejam usados para traçar seus perfis. Vale notar que o impacto deste fenômeno é mais notável nos Estados Unidos, onde mais de 50% da navegação móvel acontece no Safari — em outros países, onde a fatia de mercado do iPhone é menor, a coisa acontece em menor escala.

A reportagem ouviu executivos da indústria de anúncios online, que classificaram a estratégia da Apple como “surpreendentemente efetiva” na tarefa de anonimizar seus usuários. Como os anunciantes não conseguem traçar um perfil das pessoas que usam o Safari (e não podem, portanto, direcionar campanhas a faixas demográficas específicas), elas tornam-se menos “desejáveis” para a indústria do marketing, jogando para baixo o preço da publicidade direcionada a elas.

A Criteo, empresa de anúncios online, estima que a introdução do ITP tenha causado uma perda de US$25 milhões na receita proveniente de publicidade digital só no quarto trimestre de 2017 — cerca de 9% do total do segmento. Uma porta-voz da empresa criticou o fato de a ferramenta ser ativada por padrão no Safari, afirmando que isso prejudica a liberdade de escolha do usuário.

Por outro lado, a matéria nota que o preço médio da publicidade direcionada a usuários do Google Chrome só tem subido — e justamente por conta do Safari. Isso porque se os anunciantes “perdem” de um lado, eles precisam compensar do outro; com isso, as empresas de marketing têm investido mais em campanhas focadas no navegador do Google e em usuários mais facilmente identificáveis.

Grandes empresas do mundo da tecnologia, como o Facebook, a Amazon e o próprio Google, também têm se beneficiado do fenômeno, já que eles podem implementar estratégias para rastrear usuários dentro dos seus próprios domínios e lucrar com isso. A Amazon, por exemplo, pega dados de que produtos seus usuários estão procurando e os vende para os anunciantes, enquanto o Facebook analisa a procura de perfis e assuntos de interesse para comercializar. A corrente vai longe.

É claro que o ITP também traz alguns prejuízos para os usuários. Há momentos, afinal, em que um anúncio bem colocado pode, de fato, ser benéfico — quando você está procurando por um produto específico, por exemplo, e recebe uma propaganda com uma oferta especial dele. Ainda assim, na opinião deste que vos escreve, os benefícios do recurso superam (e muito!) os prejuízos. Concordam?

via 9to5Mac | imagem: K303 / Shutterstock.com

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