Serviços de localização construíram base de dados de 12 milhões de usuários identificáveis Uma ilustração do quão desprotegidos nós estamos

Por mais que a Apple adore se gabar de ter os sistemas operacionais e os serviços mais seguros de toda a indústria, é sempre bom lembrar: dados nunca são totalmente anônimos. Uma reportagem publicada hoje no New York Times serve para reforçar exatamente esse ponto.

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O jornal obteve acesso a um arquivo com a localização precisa de mais de 12 milhões de smartphones nos Estados Unidos entre alguns meses de 2016 e 2017. Esses dados deveriam, teoricamente, ser anônimos, mas puderam ser facilmente ligados a pessoas específicas — simplesmente analisando, por exemplo, a viagem diária entre a casa e o escritório de um determinado usuário, e combinando esses dois endereços com uma rápida busca na internet.

Munidos dessas informações, os jornalistas do New York Times foram capazes, por exemplo, de traçar os movimentos de um engenheiro da Microsoft em Seattle; em um determinado dia, ele visitou o campus da Amazon na mesma cidade e, no mês seguinte, passou a trabalhar na concorrente. Somente com esses dados, a reportagem conseguiu identificá-lo como Ben Broili, um gerente do Amazon Prime Air (o serviço de entregas por drones da gigante do varejo).

A base de dados, que é a maior desse tipo já examinada por um veículo jornalístico, foi fornecida por fontes anônimas preocupadas com o descaso que as empresas tecnológicas em geral lidam com a privacidade dos usuários. Os dados de localização foram capturados por empresas terceirizadas — aquelas as quais nós concedemos permissões todos os dias para que possamos usar nossos apps favoritos — em iPhones e smartphones Android, e vale notar que a compra/venda dessas listas de localização é perfeitamente legal nos EUA (e no Brasil, também).

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O caso do engenheiro da Microsoft/Amazon foi apenas um exemplo para ilustrar a coisa toda, mas a equipe do New York Times conseguiu, também, identificar e rastrear o movimento de pessoas em locais importantes para a segurança nacional americana, como o Pentágono e a Casa Branca. Ou seja, a coisa envolve todo mundo — incluindo muita gente importante.

Contatada pelo MacRumors, a Apple afirmou não ter comentários sobre a reportagem. Como a coisa toda ganhou uma certa repercussão, entretanto, é possível que vejamos a Maçã (e outras empresas) falando sobre a questão no futuro próximo. Aguardemos.

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