Donald Trump “exige” que Apple desbloqueie iPhones usados por terrorista

E o caso escalou até o presidente dos Estados Unidos.

Como informamos, o FBI pediu novamente a ajuda da Apple para desbloquear iPhones que pertenciam a Mohammed Saeed Al-Shamrani, atirador saudita que matou três pessoas no ataque a uma base aeronaval em Pensacola (Flórida, Estados Unidos). Pouco tempo depois, o procurador-geral dos EUA, William Barr, engrossou o coro.

A Apple, assim como no primeiro caso (relacionado ao Atentado de San Bernardino), disse que fez tudo ao seu alcance, mas que não tem como entrar nos iPhones do terrorista e que não concorda com a ideia de criar um sistema com uma backdoor (ou seja, uma “porta” de acesso), já que isso poderia ser usado tanto para o bem quanto para o mal.

A história chegou à Casa Branca, e Donald Trump tratou de arregaçar as mangas e bater na mesa (que no caso do presidente americano significa ir ao Twitter), no que para alguns pode ter soado até como uma ameaça à Apple.

Estamos ajudando a Apple o tempo todo no comércio e em muitos outros problemas, mas eles se recusam a desbloquear telefones usados por assassinos, traficantes de drogas e outros elementos criminosos violentos. Eles terão que dar um passo adiante e ajudar nosso grande país, AGORA! TORNE A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE.

No estilo “toma lá, dá cá”, Trump citou as conversas que o governo têm com a Apple envolvendo a guerra comercial com a China — e, é claro, as concessões/flexibilizações que a Casa Branca já fez para ajudar a empresa de Cupertino. Ou seja, chegou a vez da Maçã de ajudar o governo.

A Apple ainda não se pronunciou, mas mesmo com o “pedido” de Trump, é difícil imaginar que a empresa mude de ideia, afinal muito da estratégia comercial da Maçã atualmente permeia o tema privacidade — quebrar essa linha de pensamento agora poderá gerar consequências complicadas para ela.

O iPhone 5 do atirador é literalmente mais antigo que o iPhone 5c que esteve no centro da briga de criptografia de San Bernardino em 2016. É muito provável que eles possam usar exatamente a mesma brecha que usaram na época.

No mais, como apontou Benjamin Mayo, do 9to5Mac, o aparelho do atirador é um iPhone 5, mais antigo que o 5c utilizado pelo terrorista do Atentado de San Bernardino. Na prática, o FBI poderia extrair os dados do telefone utilizando a mesmíssima técnica.

A checkm8, uma vulnerabilidade do iPhone que permite acesso root a iPhones vendidos entre 2011 e 2017, ficou um pouco mais fácil de explorar como parte de uma atualização para a Cellebrite. Pode ser a chave para o governo desbloquear os telefones no centro da briga entre Apple e FBI.

Mark Gurman (da Bloomberg) afirmou que a ferramenta de invasão criada pela empresa Cellebrite (que pode ter sido peça importante no desbloqueio do iPhone utilizado pelo terrorista no Atentado de San Bernardinoou não) foi atualizada recentemente, facilitando ainda mais todo esse processo.

Em paralelo a isso, conforme noticiou o New York Times, a Apple já está se preparando para uma possível briga relacionada ao caso com o Departamento de Justiça dos EUA. Conforme a repórter Kara Swisher postou no Twitter, uma porta-voz do DoJ já demonstrou uma certa ignorância sobre o caso numa declaração pública.

A história definitivamente não acabará agora, então veremos como terminará essa nova queda de braço entre Apple e FBI.

via MacRumors

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