É melhor se sentar, pois lá vem história: o tabloide americano National Enquirer divulgou diversas matérias nas quais afirmava ter evidências de que o CEO1 da Amazon, Jeff Bezos, estaria tendo um caso com a ex-âncora da Fox, Lauren Sanchez.

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Mais precisamente, o jornal disse possuir mensagens de texto e fotos trocadas entre os dois — numa tentativa de expor a vida pessoal do executivo, que já havia anunciado a separação de sua ex-esposa, a autora Mackenzie Bezos. Como é possível imaginar, Bezos não gostou nada da atitude e intimou a National Enquirer, bem como o presidente do jornal, David Pecker.

A situação, então, ficou extremamente pessoal: o National Enquirer é uma subsidiária da American Media Inc. (AMI), que por sua vez foi alvo de uma investigação do Washington Post sobre o seu papel em ajudar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a “silenciar” uma ex-modelo da Playboy que queria contar a história de um caso que ela havia tido com Trump. Vale notar, aqui, que o dono do Washington Post é o próprio Bezos.

Naturalmente, a investigação do Washington Post não foi a fio, e segundo Bezos, isso só aconteceu pois a AMI tentou pressioná-lo a encerrar a inquirição — além de emitir uma declaração falsa de que o National Enquirer não teria colocado panos quentes sobre a polêmica de Trump.

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A resposta de Bezos, entretanto, praticamente colocou todas as cartas acerca das intenções da AMI sobre a mesa, o que não agradou nem um pouco a gigante midiática — podendo ter incentivado o National Enquirer a divulgar as conversas e fotos que Bezos trocou com Sanchez. O fato é que a chaleira supitou para o lado do executivo da Amazon, que escreveu uma texto intitulado “Não, obrigado, Sr. Pecker”, no Medium.

Relação com Mohammad bin Salman

Entendendo essa primeira parte da história, a pergunta que fica é: como o National Enquirer conseguiu tais mensagens e fotos de Bezos? Como divulgado pelo tabloide, essas informações teriam sido obtidas pelo dispositivo de Bezos, e não de Sanchez — que comprovou não ter vazado nenhum conteúdo das mensagens.

Obviamente, uma investigação foi instaurada para apurar quem então teve acesso às mensagens do executivo, e um relatório preliminar foi divulgado nesta semana pela VICE com algumas possíveis respostas sobre o caso.

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De acordo com os investigadores, Bezos teria recebido um arquivo malicioso no dia 1º de maio de 2018 na sua conta do WhatsApp, e o remetente seria o príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman. Veremos, a seguir, quais teriam sido as motivações para Salman ter supostamente enviado um malware para o dispositivo de Bezos — é sabido que os dois haviam se comunicado anteriormente, a partir da plataforma de mensagens do Facebook.

No dia supracitado, especificamente, Bezos teria recebido um “vídeo de bandeiras sauditas e suecas com texto em árabe”, de acordo com os investigadores. Segundo eles, o arquivo tinha pouco mais de 4,4MB e carregava um código (escondido) o qual pode ter implantado um malware no iPhone X do executivo, que poderia ter dado acesso ao dispositivo — incluindo às suas fotos e mensagens privadas.

Spyware

A análise forense avaliou que a invasão provavelmente foi realizada pelo uso de um produto spyware não exatamente inédito: o Pegasus-3, um malware desenvolvido pelo NSO Group, uma empresa israelense que acumula polêmicas por conseguir hackear dispositivos da Maçã. O uso do WhatsApp como plataforma para a instalação do Pegasus, inclusive, é motivo de uma ação judicial do Facebook contra o NSO Group.

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De qualquer forma, não se sabe ao certo se Bezos abriu ou não o arquivo suspeito — porém isso não vem ao caso, uma vez que alguns malwares podem ser acionados sem nenhuma interação do usuário. O fato é que isso abriu precedentes para outra dúvida: por que o príncipe saudita teria invadido e estaria espionando (desde 2018) o bilionário americano?

Motivações

Mais uma vez, isso estaria relacionado ao poder de Bezos sobre o Washington Post. As informações sugerem que o príncipe saudita estaria tentando influenciar (senão silenciar) Bezos em torno de uma investigação do jornal sobre as ações do príncipe na Arábia Saudita. Justamente por isso, Salman estaria fornecendo ao National Enquirer informações sobre o caso do executivo com Sanchez.

Segundo informações (de múltiplos veículos), Salman é acusado de violar os direitos humanos e financiar conflitos Iêmen; além disso, o príncipe estava sendo investigado sobre o possível envolvimento na morte do jornalista (do Washington Post) saudita Jamal Khashoggi.

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Como dissemos, tudo isso não passa de uma análise inicial (e preliminar) sobre o caso. De fato, as instituições de segurança cibernética exigem uma “investigação imediata” dos EUA, bem como de outras autoridades relevantes. Sendo assim, certamente veremos, ainda, muita água passar por baixo dessa ponte — principalmente se tratando de um caso envolvendo dois bilionários e a segurança na era virtual.

via The Guardian

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