Facebook se isenta de culpa na invasão ao iPhone de Jeff Bezos feita pelo WhatsApp

Nesta semana nós trouxemos a notícia de que o iPhone de Jeff Bezos (CEO da Amazon e um dos homens mais ricos do mundo) teria sido hackeado pelo príncipe saudita Mohammad bin Salman. A história é longa, mas de forma muito resumida, a motivação para o herdeiro da Arábia Saudita espionar Bezos seria a de influenciar (senão silenciar) o executivo por conta de uma investigação que o Washington Post (Bezos é dono do jornal) estava realizando sobre as ações do príncipe em seu país.

É importante destacar que o colunista Jamal Khashoggi trabalhava para o Washington Post antes de ser assassinado em outubro de 2018 — dentro do consulado da Arábia Saudita, na Turquia.

A suposta invasão ao celular de Bezos teria acontecido após bin Salman enviar um vídeo pelo WhatsApp — hipótese que surgiu em um relatório da consultoria FTI, contratada por Bezos, para investigar o assunto. O documento indica que os dados pessoais do executivo foram extraídos do aparelho pelo spyware Pegasus, criado pelo NSO Group. O grupo, por sua vez, afirmou que não tem envolvimento com o caso, já que sua tecnologia não pode ser usada em números de telefone dos EUA.

Como sabemos, o Facebook é dono do mensageiro e, agora, resolveu se pronunciar sobre o caso. Em Davos, Nicola Mendelsohn (vice-presidente do Facebook para Europa, Oriente Médio e África) disse à Bloomberg que a empresa estava levando as acusações “a sério”. A executiva disse que o Facebook está investigando o assunto antes de afirmar que não comentaria casos individuais. Ainda assim, fez o seguinte comentário:

Uma das coisas que se destaca, na verdade, são algumas das possíveis vulnerabilidades centrais que existem nos sistemas operacionais dos telefones. Do ponto de vista do WhatsApp, do ponto de vista do Facebook, o que mais nos interessa, o que investimos é garantir que as informações que as pessoas têm conosco estejam seguras e protegidas.

Como o smartphone de Bezos era um iPhone X, o Facebook claramente está jogando a responsabilidade do episódio no colo da Apple.

De fato, como o Mashable destacou, Mendelsohn tem sua dose de razão já que a comunicação feita dentro do WhatsApp tem criptografia de ponta a ponta. Bezos recebeu uma mensagem infectada de um número que ele confiava (ele mesmo deu seu número para o príncipe saudita durante um jantar que ocorreu em Los Angeles). Isso, contudo, não significa que o WhatsApp não esteja vulnerável a falhas e spywares.

A Arábia Saudita classificou as acusações de invasão ao celular de Bezos como “absurdas”, afirmando ainda que “não conduz atividade ilícitas dessa natureza, nem as tolera” — pedindo também que as provas sejam divulgadas para que eles possam demonstrar que elas são “comprovadamente falsas”, como informou o Tecnoblog.

Taggeado:

Posts relacionados

Comentários