Apple vs. FBI

O ano começou com uma polêmica e tanto envolvendo o nome da Apple. Como noticiamos há cerca de um mês, o FBI1 pediu a ajuda da empresa para desbloquear os iPhones 5 e 7 usados por Mohammed Saeed Al-Shamrani, atirador saudita que matou três pessoas no ataque a uma base aeronaval em Pensacola (Flórida), no fim do ano passado.

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O caso, entretanto, tomou o mesmo rumo de uma história que ocorreu há aproximadamente quatro anos, quando a agência de segurança americana também havia solicitado à Apple que desbloqueasse o dispositivo do terrorista responsável por matar 14 pessoas e ferir outras 22 num ataque em San Bernardino (Califórnia).

Como muitos de vocês devem se lembrar, a Apple não desbloqueou o aparelho (o que poderia ser feito por meio de uma backdoor2), pois isso abriria um precedente para agentes maliciosos explorarem o método e saírem desbloqueando iPhones/iPads de qualquer pessoa a torto e a direito.

Foi justamente isso que a Apple alegou no caso mais recente envolvendo o atirador de Pensacola, e nem mesmo o procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr e o presidente americano, Donald Trump, conseguiram “influenciar” a Maçã a desbloquear os iPhones em questão.

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Isso nos leva à notícia mais recente sobre o caso: o diretor do FBI, Christopher Wray, disse que eles ainda não conseguiram acessar os dados criptografados dos dispositivos de Al-Shamrani, como divulgado pela Bloomberg.

Wray também contou que a agência ainda está “esperançosa de que a Apple possa ajudá-los a desbloquear os dispositivos”, mesmo que os eventos das últimas semanas tenham ido de encontro a essa possibilidade.

Seja como for, o fato é que o FBI já tem as ferramentas necessárias para desbloquear iPhones sem a ajuda da Apple — tudo graças à GrayKey, uma caixinha, de autoria da Grayshift, capaz de descodificar iPhones em questão de minutos. Com efeito, a agência de segurança já teria desbloqueado um iPhone 11 Pro Max e um iPhone 11 utilizando esse método, o que nos faz mirabolar sobre o porquê de essa novela não ter acabado ainda.

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Conspirações

É inevitável que alguns burburinhos surjam aqui e acolá sobre esse caso, afinal muitas pessoas têm estranhado o fato de o FBI insistir na mesma tecla (de que não teria acesso aos iPhones e que precisa da ajuda da Apple), ainda mais considerando um caso de segurança nacional — o que pressupõe que a investigação deveria ser finalizada o quanto antes e “a qualquer custo”.

Entre as teorias discutidas online, uma delas é mais proeminente: o FBI já teria desbloqueado os iPhones do atirador de Pensacola e estaria dando corda para o imbróglio com a Apple a fim de forçar o legislativo americano a criar uma lei que ofereça suporte para agências de segurança desbloquearem dispositivos de suspeitos/investigados. Em outras palavras: forçar as fabricantes de dispositivos a entregarem ao FBI a “chave” para acessar qualquer dispositivo sob investigação.

A outra teoria aponta para uma possível complacência da Apple com relação ao caso: a Maçã teria, veladamente, fornecido a backdoor para o FBI acessar os dados criptografados do dispositivo do atirador e estaria “fazendo de conta” que não o fez para que seus clientes ao redor do mundo acreditem que não há nada, nem mesmo ninguém, capaz de desbloquear intencionalmente seus gadgets. Ou seja: se você possui um dispositivo da Apple, os seus dados estão seguros.

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É provável que nunca saibamos, de fato, o que aconteceu entre a Apple e o FBI — ainda mais sobre o caso mais recente. De qualquer forma, temos noção de que esse não é o primeiro (e nem será o último) problema desse tipo, então resta-nos continuar acompanhando para sabermos como isso se desenrolará no futuro, eventualmente.

Opiniões, angústias ou (mais) teorias? Conte-nos!

via AppleInsider

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