Desbloquear iPhones parece ser mais fácil do que se pensa — mas não para todo mundo

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre ferramentas de desbloqueio de iPhones, como as da Cellebrite e da Grayshift — empresas que, ao menos no papel, negociam somente com agências policiais e governos soberanos.

Até agora, todas as reportagens, relatórios e demais materiais escritos sobre essas ferramentas dão a ideia de que, mesmo sendo possível, desbloquear um iPhone sem ter a sua senha de acesso é um processo difícil, vagaroso e sujeito a todos os tipos de erros. Pois parece que não é bem assim — ao menos de acordo com a VICE.

A matéria reuniu e analisou mais de 500 mandados de busca e outros documentos relacionados a casos nos quais autoridades dos Estados Unidos, como a polícia ou o governo, tentaram desbloquear iPhones; com isso, foi possível pintar um cenário mais concreto sobre quem está fazendo isso com destreza e quem ainda está engatinhando no escuro.

Por exemplo: como era de se esperar, esferas superiores das agências legais têm muito mais meios de desbloquear os smartphones da Maçã. Entre os casos nos quais os iPhones conseguiram ter informações extraídas, boa parte deles veio de agências federais, como o FBI; em casos tratados por polícias locais ou outras agências menores, boa parte dos aparelhos permaneceu íntegra ou precisou ser enviada a outros locais para ter seus dados recuperados.

Outro fator que dificulta o desbloqueio dos iPhones é o estado físico dos aparelhos: em muitos casos, eles são coletados após situações de violência e estão danificados, tornando a extração de informações mais complexa. Ainda assim, dos 516 casos analisados pela revista, 295 deles obtiveram sucesso na recuperação de algum tipo de dado dos dispositivos — geralmente mensagens de texto, registro de chamadas e navegação, e pontos de geolocalização.

Uma informação dessas, no mínimo, põe em questão a narrativa defendida pelo FBI: a agência tem, desde o infame caso de San Bernardino, defendido que a Apple crie uma backdoor no iOS para que ela (e outras autoridades) possam acessar iPhones ao seu bel-prazer — algo veementemente negado pela Maçã desde então.

A justificativa para o pedido estaria no fato de que desbloquear um iPhone com ferramentas de terceiros seria algo extremamente complexo, mas quando notamos que, numa amostra de 500 casos, mais da metade deles obteve sucesso… bom, algo nessa justificativa do FBI não bate.

Obviamente, a história não para por aqui: a cada nova atualização do iOS, a Apple torna o seu sistema mais protegido contra essas ferramentas de desbloqueio, criando basicamente um jogo de gato e rato com Cellebrite, Grayshift e companhia limitada. Ou seja, vamos ver como será tudo isso daqui a algum tempo.

via AppleInsider

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