Como foi usar o iPad Pro com Magic Keyboard por alguns dias

Conforme vocês acompanharam pelos vários vídeos postados em nosso canal do YouTube, estou há alguns dias com um iPad Pro de última geração e um Magic Keyboard, e resolvi aproveitar a oportunidade para usar essa dupla em alguns momentos como substituta do meu MacBook Pro.

Publicidade

Confesso, porém, que fiz um uso bem menos intenso do que pretendia. Primeiro porque tive muitos vídeos para editar nas últimas duas semanas (falo disso mais adiante); segundo que, na correria diária, sabendo que meu MBP estava disponível, muitas vezes acabei me rendendo ao ambiente com o qual estou mais acostumado (também falo disso a seguir) e trabalho de maneira mais ágil.

Ainda assim, esse meu novo contato com o mundo do iPadOS foi suficiente para eu ter uma noção atualizada quanto à possibilidade futura de vir adotar o iPad como meu dispositivo principal. Mas se eu posso resumir tudo, a coisa melhorou bastante, mas ainda não é a hora para mim.

Portabilidade/versatilidade

Nesse ponto, o iPad é imbatível. Claro, há de se considerar que estou comparando-o a um MBP de 15″; tenho total consciência de que, se meu Mac principal fosse menor (digamos, um Air de 13″), essa diferença de sensação não seria tão drástica.

Publicidade

Mas mesmo comparando o iPad Pro “nu” ao Air, e olha que eu estou falando do modelo de 12,9″, a diferença de peso por si só é gigante: 643g vs. 1,25kg. Com o Magic Keyboard acoplado a coisa muda de figura, mas é aí que entra o quesito versatilidade do iPad.

Ora, quando eu estou trabalhando na minha mesa, quando preciso digitar bastante coisa, o iPad Pro com o Magic Keyboard funcionam — e se parecem — como um laptop completo. Em todos os outros momentos, como navegar pela internet e acompanhar tweets, assistir a vídeos, bater papo com alguém e afins, eu posso facilmente desacoplar o iPad do acessório e usá-lo puramente como tablet, de uma forma moderna e divertida.

A sacada da Apple com os ímãs faz toda a diferença, aqui. Colocar e tirar o iPad Pro do Magic Keyboard é mais fácil e rápido do que abrir a tampa do meu MacBook Pro; você não precisa pensar e não precisa alinhar nada, os ímãs fazem isso para você.

Publicidade

Aliás, falando em “abrir a tampa”, nesse quesito o Magic Keyboard é meio esquisito. É bem difícil abri-lo com uma mão só e, mesmo usando as duas, falta alguma coisa no design do acessório para facilitar esse processo. Em todos os MacBooks, a Apple resolveu isso com um pequeno recorte abaixo do trackpad, onde você põe o dedo e dali usa-o como “alavanca” para levantar a tampa. Sem falar, claro, que o fato de o peso do laptop ser concentrado na sua parte inferior também ajuda nesse sentido.

Embora eu adore a telona do meu MBP, adorei a experiência de usar o iPad Pro com o Magic Keyboard no meu colo sentado no sofá, por exemplo. Você sente a questão do peso maior estar na parte superior, mas a Apple conseguiu um bom equilíbrio nesse design e é perfeitamente usável dessa forma. Eu nunca pude dizer isso sobre nenhum teclado para iPad que usei antes.

E ainda tem a compatibilidade com o Apple Pencil, né, que eu nem testei dessa vez porque não é a minha praia. Mas para designers, por exemplo, poder eventualmente interagir com projetos usando o lápis é um game changer; até uns anos atrás, era necessária uma mesa digitalizadora separada, como aquelas da Wacom, e você não tinha nem de perto a experiência de interagir “diretamente com os pixels”.

Publicidade

Teclado e trackpad

Meu MacBook Pro é de 2016 — então sim, tenho e uso há anos o problemático teclado borboleta. Aliás, já tive que trocá-lo três vezes dentro do recall da Apple, e não duvido que em breve tenha que trocar de novo.

Apesar dessa falha grave de confiabilidade, a sensação de digitar em si não me incomoda muito. Estou acostumado com ela e até o barulho excessivo hoje em dia me parece normal. Até, claro, eu usar novamente um teclado decente como o do Magic Keyboard.

Tive uma breve experiência com o teclado tesoura do MacBook Pro de 16 polegadas há algumas semanas e a experiência com o Magic Keyboard do iPad Pro me parece quase idêntica. É realmente bem mais agradável, as teclas afundam um pouco mais e o barulho não incomoda tanto. Sou obviamente uma pessoa que digita bastante, então talvez com um teclado melhor que o meu atual do MBP eu não me sentisse tão cansado de digitar ao final de certos dias.

Embora eu não seja apaixonado pela Touch Bar do MacBook Pro, senti falta de uma barra de funções ali em cima — nem que fosse uma convencional, com teclas normais. A única coisa que podemos fazer com o iPad sem ter que puxar a sua Central de Controle ou adentrar os Ajustes é ajustar o volume, usando os botões laterais no próprio tablet; de resto, não há como controlar o brilho da tela ou da retroiluminação do teclado, não dá para controlar a reprodução multimídia e por aí vai.

Como vocês viram no vídeo acima, eu optei pelo layout português do Magic Keyboard e isso também acabou sendo um pouco complicado para mim visto que constantemente alternava entre ele e o layout americano do meu MBP. Não há cérebro que aguente.

Já o trackpad não é algo que posso dizer que me apaixonei. Não que ele seja ruim, pelo contrário; a Apple dominou a arte de criar bons trackpads há muitos anos, e com esse do Magic Keyboard não é diferente. Ele é suave e muito preciso.

Mas há duas coisas nele fundamentalmente diferentes do trackpad do meu MBP: 1) é muito menor, e 2) ele “clica” de verdade.

O tamanho não chega a ser um problema no dia a dia, e obviamente entendo o porquê de ele não ser maior do que é, considerando as dimensões do acessório como um todo, mas ter um trackpad grandão como o do MBP é muito legal e agradável. Pense, por exemplo, no movimento de “pinça” (pinch) para dar zoom em fotos; ele funciona no Magic Keyboard, mas eu logo me esbarro no limite do trackpad.

Já o “clique” só é algo que eu me desacostumei com o tempo, visto que no MBP o trackpad é fixo e a sensação do clique na verdade é simulada pelo Taptic Engine (motor vibratório). Pelo menos a Apple fez um bom trabalho no funcionamento do trackpad e, ao contrário dos antigos que também afundavam fisicamente como esse, agora é possível clicar em absolutamente qualquer parte/canto do trackpad. Isso é ótimo.

Como também mostrei no vídeo acima, conectar o meu mouse Logitech MX Master 3 ao iPad foi muito simples e rápido, porém não consigo personalizar todos os botões dele tal como faço no macOS (me deram a dica de fazer isso pelo AssistiveTouch, mas mesmo assim não funcionou bem) e não consigo ajustar a velocidade da rolagem como gostaria.

De uma maneira geral, eu adorei a forma como a Apple implementou o cursor do trackpad/mouse no iPadOS. Ele some automaticamente após dois segundos (isso é configurável) e o mais legal é que se adapta aos diversos elementos da interface, então pode se “transformar” num ícone de app, num botão ou na barrinha de digitação de textos. Eu gostaria de ver isso tudo sendo levado ao macOS; acho que funcionaria bem.

O iPad Pro

A ideia aqui não é fazer um review completo do iPad Pro, mas como já tinha um bom tempo que eu havia vendido o meu último (o de 2017), tive uma agradável surpresa com as principais características do tablet em sua geração atual.

O iPad Pro é incrivelmente fino e leve para o que oferece, tem um design com ar bastante moderno, uma performance que não deixa a desejar em momento nenhum, câmeras bem razoáveis (embora eu raramente use uma câmera com o iPad) e um sistema de alto-falantes exemplar.

A tela dele, embora não seja de OLED1, é nitidamente superior à do meu MBP (que, claro, também é de LCD). A densidade de pixels é superior (264ppp vs. 220ppp), o brilho máximo é superior (600 vs. 500 nits), ela me parece ter menos reflexo e, acima de tudo, o iPad Pro é equipado com a tecnologia ProMotion — com taxas de atualização (refresh rates) de até 120Hz, como temos visto nos smartphones flagships lançados nos últimos meses e provavelmente veremos chegar à linha “iPhone 12” este ano.

Acho a tela do iPad Pro maravilhosa, mas mesmo apenas duas polegadas menor que do meu MBP, uma coisa que difere bastante meu workflow nos dois é o fato de que, no Mac, eu consigo alterar a resolução para uma de “Mais Espaço” e assim, apesar de perder um pouco em nitidez, ganho muito em área útil para trabalhar com tudo. Como estou bem acostumado com isso, as coisas no iPad me parecem grandes demais e às vezes acho tudo muito “apertado”.

O Face ID também é outra coisa que faz toda a diferença e, graças à espessura da moldura do iPad Pro (que é fina para ele, porém seria grossa demais num iPhone), nem sequer temos um recorte (notch) aqui. Eu fiquei maravilhado quando usei pela primeira vez o Touch ID do meu MBP, mas com o Face ID a coisa vai além. Basta você estar interagindo com o dispositivo, olhando para ele, que é automaticamente autenticado no que quer que seja. É outra história.

A única coisa que eu ainda acho esquisita é a Apple manter essa localização atual da câmera frontal e dos sensores do Face ID. Ora, de fato, nos primeiros anos desde que o iPad foi lançado, a orientação vertical era a principal — inclusive, por muito tempo, vários apps só funcionavam assim, em modo retrato.

Hoje em dia, isso mudou completamente — e o próprio Magic Keyboard está aí para provar isso. A Apple precisa assumir que usar o iPad na horizontal é agora o default, e reposicionar todo o sistema TrueDepth para que fique na parte superior quando estamos usando-o em modo paisagem. Quem já experimentou fazer um FaceTime com o iPad assim sabe que é meio esquisito se ver ligeiramente deslocado para a esquerda.

Felizmente, ao contrário de todos os iPhones, no iPad Pro o Face ID funciona tanto na vertical quanto na horizontal. Apenas a configuração inicial dele é que ainda precisa ser feita com o iPad em modo retrato; vai entender.

Quanto à maior novidade da geração 2020 do iPad Pro, bem… eu fiz um vídeo completo sobre o scanner LiDAR, mas, como falei lá mesmo, a menos que você curta muito experiências de realidade aumentada e/ou pretenda usar apps que fazem uso dessa tecnologia, para mim ainda está longe de ser um diferencial importante o suficiente para alguém investir no produto.

Uma coisa que me agrada demais no iPad Pro é a sua bateria, e isso é uma verdade nos iPads desde os seus primeiros modelos, lançados há uma década. A Apple promete — e cumpre — cerca de 10 horas de autonomia num uso normal dele, e na prática eu realmente sinto que ela dura de duas a três vezes mais que a do meu MBP.

Acredito fortemente que esse cenário vai mudar de forma drástica nos MacBooks quando a Apple finalmente migrar para chips próprios, baseados na arquitetura ARM. O tempo dirá.

iPadOS vs. macOS

Por mais que não seja perfeito, o macOS Catalina 10.15 é um sistema operacional extremamente maduro. Essa é a 15ª grande atualização oriunda do Mac OS X 10.0, lançado em 2001, e este já era um sistema que evoluiu de outro já bastante maduro. Ou seja, o legado é enorme aqui.

O iPadOS ainda está amadurecendo. Esta é a primeira vez, inclusive, que ele ganha esse nome. Até a versão 12, os iPads rodavam o mesmo sistema operacional dos iPhones, o iOS. Quer dizer, na prática ainda é a mesma coisa, só que dividindo-os dessa forma a Apple está informando ao mundo que aos poucos o iPadOS tende a evoluir de uma maneira mais apropriada para os tablets, deixando para trás o estigma de ser apenas um iPhone com a interface maior/esticada.

E sim, a coisa melhorou muito (muito!) de alguns anos para cá. Quando eu ainda tinha meu iPad Pro de 2017, fiquei uma semana sem meu MBP enquanto fazia a primeira troca da sua top case devido ao problema do teclado, e já naquela época pude enxergar o potencial de evolução da coisa. E sim, já naquela época eu pude fazer nele quase tudo o que faço normalmente com meu MBP.

Hoje em dia, esse gap se estreitou bastante. O iPadOS não mais se comporta como um mero sistema operacional móvel, a começar por exemplo da forma como o Safari renderiza sites — agora, tal como um desktop de verdade. Temos mais funções de multitarefa, aplicativos mais complexos, suporte a vários acessórios pela porta USB-C e por aí vai.

Mas ainda não é a mesma coisa, e talvez nunca será. Desde a sua concepção, o iOS/iPadOS é um sistema extremamente fechado e controlado, então, por exemplo, apps só podem se comunicar e interagir uns com os outros usando APIs2 específicas criadas pela Apple para tal — como por exemplo, permitir arrastar e soltar (drag & drop) conteúdos de um para o outro.

As opções de personalização do iPadOS ainda são extremamente limitadas, e um claro exemplo disso é a impossibilidade de alterarmos apps padrão do sistema como navegador, cliente de email, calendário, mapas e afins. Este ponto, por si só, já é suficiente para eu não conseguir escolhê-lo hoje como meu ambiente principal de trabalho.

Mesmo com um sistema de multitarefa bastante aprimorado nos últimos anos, ainda me sinto muito limitado no ambiente do iPadOS porque, de novo, é a Apple quem decide quais as opções que temos para usar mais de um app simultaneamente. Ou ele fica em tela cheia, ou em Split View (com 50% ou ⅓ da largura), ou em Slide Over. Não posso redimensionar janelas a meu bel-prazer, deixar um app ligeiramente sobreposto a outro para ver algo acontecendo ali por trás, alguns recursos deixam de funcionar quando o app não está ativo em primeiro plano (como a sua webcam numa videoconferência, por exemplo), entre outros.

E, por mais que a performance do iPad Pro seja mesmo excelente, acho que a pouca quantidade de RAM3 também influencia em certas limitações referentes ao seu sistema de multitarefa. Ora, meu MBP tem 16GB e às vezes acho isso pouco; não dá para esperar muito disso com apenas 6GB de memória dos iPads Pro atuais (e os de 2018 tinham apenas 4GB, com exceção da versão de 1TB que já vinham equipada com 6GB).

iPadOS + macOS

Okay, há toda essa comparação iPadOS vs. macOS, mas por que não *somar* os dois?

Estou falando, obviamente, das pessoas que dispõem de capacidade financeira para ter tanto um Mac quanto um iPad. E, na minha opinião, aí sim você tem um cenário ideal pois pode optar pelo dispositivo que lhe dá a melhor experiência a depender do que você precisar ou quiser fazer em determinado momento.

Definitivamente, o Mac não é melhor que o iPad em tudo e, claro, a inversa também é verdadeira. E não é só essa ideia de optar por um ou por outro, mas você também pode usá-los ao mesmo tempo. Sim, com o Sidecar.

Como eu mostrei no vídeo acima, com o Sidecar é possível estender a tela do Mac (não necessariamente um MBP) e usar todo o espaço que você tem no iPad (não necessariamente um Pro) para aumentar a sua produtividade.

Claro que a ideia não é comprar um iPad apenas para servir de monitor secundário para o Mac (você gastaria bem menos comprando um monitor à parte, de fato), mas esse é mais um aspecto que entra no somatório de benefícios/vantagens e me faz muito voltar a querer ter um iPad.

Limitações em apps

Eu obviamente vou me focar aqui na minha avaliação de apps em termos do que me limita no iPadOS, mas antes de mais nada é importante pontuar que há, também, uma boa vantagem nesse aspecto visto que a App Store do iPad é recheada de aplicativos e jogos dos mais bacanas e variados criados pro tablet.

Temos, por exemplo, uma série de apps nativos para o iPad que nem sequer existem na Mac App Store, a exemplo de YouTube, Netflix, Facebook e também aplicativos de bancos. Em todos esses casos, pelo Mac você precisa ir pelo navegador.

App Store no iPhone e no iPad

E falando em navegador, que é basicamente o software que mais usamos hoje em dia, no iOS/iPadOS temos uma grande limitação que é o fato de que todos os browsers necessariamente precisam usar o mesmo engine do Safari, o WebKit. Então, embora tenhamos interfaces e alguns recursos diferentes aqui e ali (o Google Chrome, por exemplo, sincroniza abas abertas, histórico, favoritos…), a renderização de páginas é a mesma e a performance também tende a ser sempre igual. Sem falar, claro, na já citada impossibilidade de alterarmos o navegador padrão do sistema.

Duas ausências importantes, ambas culpas do Facebook, são Instagram e WhatsApp. O primeiro até pode ser usado em sua versão para iPhone, mas é tão ruim que o ideal nesse caso é ir pelo navegador mesmo; já o segundo não dispõe de um app nativo e, igualmente, até pode ser acessado pela sua versão web no Safari, mas a experiência é ruim. A interface tem falhas, não há suporte a notificações de novas mensagens e por aí vai.

Aliás, depender do Safari para tanta coisa no iPad é péssimo por dois motivos: 1) a limitação de RAM que falei acima, afinal, com 6GB não dá para termos tantos apps e abas abertas ao mesmo tempo, e 2) o Safari para iPadOS ainda não suporta abas fixas, que ficam “encolhidas” ali na esquerda. Ou seja, em pouco tempo você está com a sua barra de abas abarrotada e começa a ser perder no meio delas.

O Photoshop, como vocês sabem, já foi lançado para iPad. Mas, embora a Adobe tenha prometido implementar vários recursos que ainda existem somente em desktops, estamos um pouquinho longe disso. Ao menos para edição de imagens, soluções concorrentes como Affinity Photo e Pixelmator estão à frente dele.

Já o Final Cut Pro simplesmente não existe no iPad, ainda, e isso para mim é um deal-breaker. Sim, eu sei que há na App Store um excelente e supercapaz editor de vídeos para iPadOS — o LumaFusion —, mas como eu tinha pouco tempo com o tablet e precisava editar/publicar uma série de vídeos rapidamente nas últimas semanas, não me dispus a testá-lo e ver se conseguia me adaptar. É possível que ele viesse a atender as minhas necessidades, mas não tenho certeza. Estou muito acostumado ao workflow do FCP.

Até mesmo em apps que possuem versões adaptadas para o iPad, como o Trello (que usamos para toda a gerência interna do site, organizar pautas, etc.), eu também tive alguns probleminhas. Quando estou usando o Magic Keyboard, por exemplo, não consigo comentar em nenhum “cartão” do Trello; ele só deixa eu digitar com o teclado virtual, mesmo. Bem esquisito.

Já no Google Chrome, se eu clico com (Command) em matérias do Feedly, ele não as abre em abas no plano de fundo como acontece no Safari. E olha que, como eu falei, ambos utilizam o mesmo engine; vai entender.

E aí ainda entra uma série de outros exemplos menores que ou não existem na App Store do iPad, ou funcionam de forma limitada, ou me obrigariam a testar uma solução diferente — incluindo cliente de FTP (uso o Transmit no Mac), editor de códigos (uso o BBEdit), o GitHub Desktop, o Alfred, o ScreenFlow e alguns outros mais específicos.

Muito raramente, em caso de necessidade, também utilizo o Parallels Desktop para virtualizar o Windows no meu Mac, e isso não é possível no iPad. Um exemplo disso ocorreu há poucos dias; precisava atualizar o firmware da minha câmera DSLR e, por algum motivo, o instalador dela não está funcionando no macOS Catalina. Só consegui fazendo isso pelo Windows, mesmo… acontece.

Conclusão

Via de regra, o ser humano é avesso a mudanças. É normal vermos, por exemplo, usuários de PCs olharem para Macs e dizerem que são “complicados” de mexer. Não são. São, inclusive, comprovadamente mais fáceis e intuitivos; só que são, é claro, diferentes. O ser humano espera achar um “Menu Iniciar” no canto inferior esquerdo da tela, e aí quando se depara com uma carinha azul feliz, se assusta.

Eu consigo reconhecer que boa parte da minha resistência ao iPad vai muito disso. Tenho um modus operandi de trabalho no meu Mac desenvolvido há anos, com o qual estou acostumado a lidar por pelo menos 12h diárias.

Se eu estivesse na mesma situação de três anos atrás aqui, sem o meu MBP à disposição, não teria muita escolha senão mergulhar no iPad Pro e ir me adaptando ao funcionamento dele. E, provavelmente, com o tempo iria conseguir me tornar mais ágil e produtivo… de um jeito diferente.

Vale lembrar que, além das diferenças entre sistemas operacionais e aplicativos, o iPad proporciona uma camada extra de interação também por meio da sua touchscreen. E isso também requer uma certa adaptação; ora, em que momento devo usar o trackpad, o mouse ou meus dedos tocando a tela? Às vezes, ter múltiplas opções pode nos deixar um pouco confusos.

Claro que o costume não resolve algumas limitações mais graves que citei e expliquei acima, mas o que quero pontuar aqui é que muita gente acha que alguns minutos ou até poucas horas são suficientes para entendermos bem e nos adaptarmos ao funcionamento de algo. Não é bem por aí; não faltam exemplos de pessoas que já fizeram essa migração e estão muito felizes/satisfeitos com ela.

Se há três anos eu já dizia que o iPad era capaz de substituir um Mac/PC para muita gente, hoje então eu já acho que os exemplos em que isso não se aplica são minoria (como o meu próprio). Para a grande massa das pessoas, ele já tem hoje capacidade de sobra!

O problema, claro, é que você só terá essa certeza usando um. Então primeiro avalie bem tudo o que você usa e precisa no seu Mac/PC e pesquise se algo lhe fará falta no mundo iPad. Depois, se possível, experimente o iPadOS — seja mexendo no iPad de um parente/amigo, numa Apple Store ou revendedora autorizada, converse com quem já fez essa migração e leia outros artigos como este por aí.

Minha ideia futura é poder trocar o meu MacBook Pro por um iMac (mais poderoso, com uma telona de respeito) e usar um iPad Pro como dispositivo móvel e para viagens. Seria o ideal para mim, e acho que esse ideal está mais próximo do que nunca.


iPads Pro de 11″ e 12,9″

de Apple

Preço à vista: a partir de R$ 7.649,10
Preço parcelado: em até 12x de R$ 708,25
Cores: cinza espacial ou prateado
Capacidades: 128 GB, 256 GB, 512 GB ou 1 TB
Lançamento: março de 2020

Botão - Comprar agora


Magic Keyboard para iPads Pro

de Apple

Preço à vista: a partir de R$ 2.339,10
Preço parcelado: em até 12x de R$ 216,58
Compatibilidade: iPads Pro de 11″ (1ª e 2ª gerações) e de 12,9″ (3ª e 4ª gerações)
Lançamento: abril de 2020

Botão - Comprar agora

Posts relacionados

Comentários

Carregando os comentários…