Apple rejeita o app HEY definitivamente; Phil Schiller afirma que regras da loja não mudarão A polêmica se aprofunda

A semana não está sendo das mais tranquilas para a equipe da App Store em Cupertino: anteontem, a Comissão Europeia anunciou que abriria uma investigação sobre supostas práticas abusivas na loja de aplicativos da Maçã. No mesmo dia, o CTO1 e fundador da Basecamp, David Heinemeier Hansson, chamou a Apple de “mafiosa” por conta da polêmica envolvendo seu novo app de email, o HEY.

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Pois hoje a situação se complicou: a Apple rejeitou completamente o aplicativo depois de aprovar sua versão 1.0. O argumento da Maçã é que “o app HEY é vendido como um aplicativo de email na App Store, mas quando usuários baixam o app, ele não funciona” — uma referência clara ao fato de que, para acessar o HEY, os usuários precisam antes fazer a assinatura do serviço no seu site oficial.

Mark Gurman, da Bloomberg, divulgou a carta da Apple explicando os motivos da rejeição:

Em anexo, a carta de rejeição ao [app] HEY. A Apple também afirmou que a Basecamp não gerou receita para a App Store nos últimos oito anos.

Basicamente, a Apple afirmou nominalmente que, se a Basecamp quer desbloquear recursos ou funcionalidades dentro do app, o sistema de compras internas In-App Purchases precisa ser utilizado — regra que não se aplica a aplicativos mais populares, como Netflix ou Spotify. A Maçã justifica essa “diferença de tratamento” afirmando que tratam-se de aplicativos de categorias diferentes (vejam em mais detalhes abaixo, nas declarações de Phil Schiller).

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A Apple agradeceu a Basecamp por seus trabalhos desenvolvendo para o iOS por tantos anos — mas, ao mesmo tempo, deu uma “cutucada” na empresa por não ter gerado receita para a loja durante todo esse tempo e finalizou a mensagem com um leve tom ameaçador:

Obrigado por desenvolver para o iOS. Nós sabemos que a Basecamp desenvolveu vários apps, e muitas versões subsequentes deles, para a App Store ao longo dos anos — e a App Store distribuiu milhões desses apps para os usuários. Estes aplicativos não oferecem compras internas — e, consequentemente, não contribuíram com nenhuma receita para a App Store ao longo dos últimos oito anos. Nós continuaremos prestando suporte a vocês e aos seus negócios e ofereceremos as soluções para os seus serviços de graça — contanto que vocês sigam e respeitem as mesmas Diretrizes de Review das App Store que todos os desenvolvedores precisam seguir.

Hansson respondeu publicamente. Em declaração ao Axios, o executivo afirmou o seguinte:

Todas as regras que eles estão citando deveriam ser aplicadas ao Gmail e ao Outlook também. É risível eles dizerem que nós precisamos seguir as mesmas regras que todos seguem, quando claramente nem todo mundo segue as mesmas regras. Mas mesmo que esse não fosse o caso, mesmo que a Apple fosse perfeitamente consistente no seu abuso por monopólio, essa AINDA seria uma regra abusiva! Só porque você avisa antes que vai abusar de alguém, isso não torna o abuso menos grave.

Hansson também foi ao Twitter para compartilhar algumas outras impressões:

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A Apple reforçou sua rejeição do HEY na App Store, e adicionou algum tempero no final da mensagem: SEUS PEDINTES INGRATOS! Mas ela não afirmou como a Basecamp se diferencia, como o Gmail se diferencia, como o Outlook se diferencia, como o Fastmail se diferencia… apenas mais decretos arbitrários da rainha do monopólio!

Que situação…

Phil Schiller se pronuncia

Em entrevista ao TechCrunch, Phil Schiller (vice-presidente sênior de marketing global da Apple) apresentou o lado da Maçã na história. O executivo afirmou, para início de conversa, que não há quaisquer planos na Apple para mudar as regras da App Store e que a Basecamp poderia ter realizado algumas mudanças no HEY para que ele fosse aceito, algo que nunca aconteceu.

Phil Schiller apresentando os iPhones 8 e 8 Plus

Schiller reforçou a posição atestada na carta da equipe da App Store, afirmando que o aplicativo não funcionava quando baixado. O executivo explicou que alguns apps, como o da Netflix, não se aplicam a essa regra porque são aplicativos “somente leitura” — ou seja, apps que oferecem apenas conteúdo a ser consumido passivamente pelo usuário. Aplicativos de email, nas regras da Apple, não entram nessa categoria e precisam, portanto, oferecer alguma funcionalidade básica assim que são baixados.

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Segundo Schiller, a versão 1.0 do HEY foi aprovada simplesmente por um erro dos avaliadores — o app nunca deveria ter entrado na loja, para início de conversa.

O executivo exemplificou algumas mudanças que a Basecamp poderia ter implementado no app para torná-lo compatível com as regras da App Store. Entre elas, os desenvolvedores poderiam criar uma versão gratuita do HEY com funções limitadas, ou oferecer a assinatura anual a um preço maior dentro aplicativo, para compensar a taxa da loja — os usuários ainda poderiam fazer a assinatura por US$99 no site, sem desrespeitar as regras.

Ou seja: por ora, o impasse se mantém — e a discussão de qual lado está certo (ou mais certo, pelo menos) também há de continuar. O que vocês acham?

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