Apple fica no meio de conflito diplomático entre Índia e China; apps e fábricas são afetados [atualizado] Novamente, a Apple fica no meio do fogo cruzado…

Como se não bastasse a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China (com seus altos e baixos), a Apple agora está no meio de um fogo cruzado entre a Índia e a China.

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Explico: na segunda-feira passada (29/6), tropas chinesas deflagraram um ataque contra tropas indianas na fronteira do Vale de Galwan — também conhecida como Linha de Controle Real, uma área disputada entre as duas nações há mais de três décadas — resultando na morte de pelo menos 20 soldados indianos.

Há, ainda, informações de mortos entre os oficiais da China, mas nenhum dos dois países divulgaram números oficiais, de acordo com uma reportagem da CNN.

Após o ataque, a relação diplomática (já fragilizada) entre os países ficou ainda mais tênue, fazendo com que a Índia aplicasse sanções a diversos produtos e serviços chineses, afetando diretamente a Apple — mais precisamente a App Store e a produção de gadgets na Índia.

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App Store

Logo após os ataques contra as suas tropas, o governo indiano proibiu a distribuição de 59 aplicativos chineses por lá — tanto pela App Store quanto pelo Google Play. De acordo com a alegação do Ministério de Tecnologia da Índia, esses aplicativos estavam “compilando, minerando e criando perfis” dos dados de usuários, representando ameaças à “segurança nacional e defesa da Índia”.

A Índia também exigiu que perfis de figuras emblemáticas do seu governo fossem excluídos de plataformas chinesas; nesse sentido, a rede social Weibo (o Twitter da China) confirmou, hoje, a exclusão da conta do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, após um pedido da embaixada da Índia no país.

Os apps bloqueados pelo governo indiano tinham uma base mensal de usuários ativos de mais de 500 milhões de pessoas, de acordo com dados da App Annie. Entre eles está o fenômeno mundial TikTok, da ByteDance, que alegou estar em conformidade com os requisitos de privacidade e segurança das leis indianas.

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Como divulgado pelo TechCrunch, a Apple e o Google cumpriram com a exigência, removendo os aplicativos listados de suas respectivas lojas. A Maçã não comentou a mudança, enquanto a gigante de Mountain View disse que “bloqueou temporariamente o acesso” enquanto analisava a ordem provisória.

Produção na Índia

A Índia também aplicou uma sanção contra a importação de produtos chineses pela fronteira do país. Nesta semana, funcionários da alfândega em Chennai, no sudoeste indiano, confiscaram mais de 150 cargas com produtos e peças eletrônicas importados da China, causando a interrupção das operações em fábricas parceiras da Apple, como a Foxconn.

De acordo com fontes anônimas da Reuters, vários trabalhadores dessas fábricas foram dispensados nos últimos dias devido à falta de materiais para dar continuidade ao trabalho.

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Enquanto várias empresas, como Apple e Dell, estão lutando para liberar as remessas emperradas, centenas de funcionários das duas fábricas da Foxconn no sul da Índia não trabalharam esta semana.

Embora o impacto exato das interrupções não seja imediatamente claro, os atrasos ocorrem em um momento delicado para a manufatura indiana (assim como em diversos países) devido à pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) — as atividades comerciais tinham sido retomadas há poucas semanas.

O Ministério do Comércio da China disse esperar que a Índia “corrija suas ações discriminatórias contra empresas chinesas imediatamente”, mas aparentemente esse imbróglio não tem uma solução à vista no curto prazo. De acordo com funcionários do departamento de alfândega indiano, a intercepção aconteceu “devido a medidas temporárias de inspeção”.

Vale lembrar que a Apple tem investido cada vez mais na manufatura indiana, principalmente de iPhones — a maior parte dos materiais usados na fabricação de gadgets, contudo, é importada da China.

Que coisa…

via MacRumors, 9to5Mac

Atualização 03/07/2020 às 11:02

A Foxconn confirmou hoje que as cargas de componentes e outros produtos eletrônicos oriundos da China — até então barrados na alfândega indiana — foram oficialmente liberados. As novas informações são da Reuters.

A Foxconn disse que os procedimentos de liberação alfandegária na Índia foram resolvidos, uma vez que um exame adicional por parte do órgão indiano sobre importações da China interrompeu as operações em algumas empresas estrangeiras em meio a tensões entre as gigantes asiáticas.

Com o (aparente) fim do imbróglio aduaneiro, os planos de produção nas fábricas indianas poderão continuar — o que acaba sendo uma boa notícia para a Apple, é claro.

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