Durante a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), o setor de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos anunciou uma mudança de regra que pegou dezenas de milhares de estudantes estrangeiros de surpresa, impedindo que alunos — cujas aulas estivessem sendo realizadas remotamente — permanecessem no país.

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Essa medida, é claro, repercutiu pelas universidades e instituições de ensino superior americanas — algumas delas, inclusive, entraram imediatamente com um processo para reverter a decisão, com sucesso. Contudo, isso também reverberou nos corredores das maiores empresas de tecnologia dos EUA, as quais têm dependido cada vez mais de estudantes estrangeiros, como analisado pela OneZero.

Entre essas empresas está a Apple, que juntamente ao Google, ao Facebook e ao Twitter, argumentou que suas atividades seriam “substancialmente prejudicadas” se estudantes estrangeiros fossem obrigados a deixar o país; com a pressão das universidades e empresas, a mudança da regra foi oficialmente cancelada.

Não obstante, o caso revelou a importância de estudantes estrangeiros nas empresas de tecnologia americanas. De acordo com a pesquisa da OneZero, o número de estudantes não-americanos nos programas de mestrado e doutorado das áreas que compõem a STEM1 cresceu tanto nos últimos anos que eles já são responsáveis por mais da metade da distribuição de todos os diplomas conferidos.

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Esse crescimento tem sido essencial para o aumento da participação desses estudantes em empresas de tecnologia. Geralmente, essas companhias solicitam a emissão do visto H-1B, o qual tem duração de três anos e permite ao estudante estrangeiro ocupar um cargo numa empresa americana. Desde 2006, o limite para o número disponível de vistos H-1B foi fixado em 85 mil pelo governo dos EUA, dos quais 65 mil são voltados para estudantes com um diploma de bacharel e os outros 20 mil para candidatos com diploma de mestrado (fornecido por uma universidade americana).

Solicitação de vistos H1-B

Com o aumento das solicitações pelas empresas do setor, esse limite tornou o processo de petição pelo visto H-1B cada vez mais competitivo: nos últimos seis anos, as 85 mil solicitações foram preenchidas em apenas quatro dias. Nesse sentido, as principais empresas passaram a acumular a maior parte dos pedidos; em 2019, por exemplo, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft e Google receberam coletivamente quase 27 mil vistos H-1B, mais de 30% do total de vistos disponíveis para empresas privadas.

Solicitação de vistos por empresas de tecnologia

Outro dado que vale a pena ser destacado refere-se à disparidade pela busca de diplomas por estudantes americanos e estrangeiros. Mais precisamente, alunos internacionais estão buscando mais diplomas nas áreas da STEM do que os estudantes nacionais — cerca de 7% a mais na graduação e 50% a mais nos níveis de especialização.

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É possível conferir a pesquisa completa aqui; de qualquer forma, é notável que as empresas do Vale do Silício estão contando cada vez mais com talentos de várias regiões do mundo. 🌎

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