Na justiça, Apple chama Epic Games de “larápia” e diz que empresa quis forçar acordo especial [atualizado: Epic responde] Uma audiência na próxima segunda-feira julgará a remoção de Fortnite da App Store

Fortnite

E cá estamos nós com o mais recente capítulo da emocionante novela Apple vs. Epic Games. Como sabemos, a desenvolvedora — depois de implementar um sistema de pagamento próprio em Fortnite e ter o jogo expulso da App Store — entrou com uma ação judicial contra a Maçã, acusando a empresa de práticas monopolistas e abusivas.

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O caso ainda não começou a ser julgado, mas as rodadas de argumentações entre as duas partes já estão rolando desde a semana passada. E hoje, como trouxe a CNBC, foi a vez de a Apple contra-atacar.

Nos autos do processo, a Maçã incluiu três emails do CEO1 da Epic, Tim Sweeney, que poderiam contradizer um dos principais argumentos da sua adversária. Desde o início da briga, Sweeney manteve que a intenção da Epic não é conseguir um acordo especial com a Apple, mas as mensagens expostas mostram o contrário. O “Apple Fellow” Phil Schiller escreveu o seguinte:

Em 30 de junho de 2020, o CEO da Epic, Tim Sweeney, escreveu a mim e aos meus colegas pedindo um “complemento contratual” da Apple que permitisse a criação de um acordo especial somente para a Epic — acordo esse que mudaria fundamentalmente a forma como a empresa distribuiria seus apps na plataforma iOS.

Os advogados da Maçã complementaram o testemunho de Schiller, afirmando que, após a negativa da empresa, a Epic resolveu agir por conta própria — deslanchando a guerra, a ação judicial e toda a campanha anti-Apple que temos visto nas últimas semanas.

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Como já informamos, a Epic está buscando atualmente na justiça uma ordem emergencial que garanta a permanência temporária de Fortnite na App Store enquanto o caso é julgado. A Apple, em resposta, afirmou que o jogo poderá voltar à loja caso a desenvolvedora conforme-se aos termos e às taxas do ecossistema; o comportamento atual da Epic, segundo a Maçã, assemelha-se ao de um “larápio”.

Se um desenvolvedor pode evitar o sistema de pagamentos [da App Store], isso é o mesmo que um consumidor deixar uma loja da Apple sem pagar pelo produto roubado: a Apple não é paga.

Por ora, então, a situação segue num impasse: a Epic continua se negando a remover o sistema de pagamento próprio de Fortnite, e a Apple mantém que só restaurará o jogo (e evitará o cancelamento da conta de desenvolvedora da Epic) caso a empresa conforme-se às regras da App Store.

Na próxima segunda-feira, uma audiência determinará se a remoção de Fortnite da loja é legal. Vamos, portanto, acompanhar as cenas dos próximos capítulos.

Atualização 21/08/2020 às 19:21

No Twitter, Sweeney afirmou que as afirmações da Apple são “enganosas” e que a Epic nunca pediu um acordo especial para si mesma. O CEO anexou no tweet uma cópia original do email enviado à Apple, em que ele cita especificamente que “espera que a Apple torne essas opções [as condições especiais] igualmente disponíveis a todos os desenvolvedores do iOS”.

Explorando um pouco mais os documentos enviados pela Apple à justiça, fica claro que a Maçã já antecipava uma campanha como essa que a Epic está fomentando. Como informou o TechCrunch, a gigante de Cupertino classificou o comportamento da adversária como “uma campanha cuidadosamente orquestrada e multifacetada”, já pensada há muitos meses.

De fato, a Epic avisou à Apple que deixaria de se submeter às taxas da App Store — Sweeney enviou um email à empresa exatamente na manhã em que Fortnite passou a oferecer um sistema de pagamentos próprio, como prenúncio da guerra.

As declarações da Apple podem ser lidas inteiramente nesse PDF. E vamos acompanhando…

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