Sensores do Apple Watch podem causar sobrecarga no sistema de saúde, diz pesquisa Tudo tem a ver com a quantidade de falsos positivos emitidos pelo reloginho

Apple Watch

Se 2020 serviu para alguma coisa, foi para nos lembrar que cabe à população como um todo ter um certo grau de responsabilidade para que o sistema de saúde do país não entre em colapso — afinal, quanto mais gente expondo-se a riscos desnecessariamente, maiores as chances de sobrecarregar esse sistema com casos que poderiam ser evitados.

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Estou me referindo, claro, à pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), mas não apenas a ela. Basta ver a pesquisa mais recente dos cientistas da Mayo Clinic, instituição médica dos Estados Unidos.

De acordo com os pesquisadores, os sensores do Apple Watch — e outros dispositivos com monitoramento de saúde embutido — têm potencial de causar uma sobrecarga em sistemas de saúde por conta de falsos positivos. Isto é, o reloginho pode levar mais pessoas ao médico desnecessariamente por conta de leituras incorretas e, com isso, usar recursos que, de outra forma, poderiam ser utilizados por pessoas que realmente precisam.

O foco da pesquisa está no medidor de frequência cardíaca do Apple Watch e no recurso do watchOS que notifica o usuário de possíveis alterações no ritmo cardíaco. Todos os 264 pacientes estudados receberam do relógio ao menos um alerta de ritmo cardíaco anormal durante os quatro meses do estudo; com exames médicos completos, entretanto, ficou constatado que apenas 11% dos pacientes de fato tinham algo a se preocupar em seus sistemas circulatórios.

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Um outro fator precisa ser considerado, entretanto: de todos os participantes da pesquisa, apenas 15% deles receberam notificações espontâneas de ritmo cardíaco irregular — todos os outros receberam alertas do tipo após realizarem manualmente uma medição da sua frequência cardíaca ou outro processo relacionado.

Ainda assim, a conclusão dos pesquisadores é que o possível excesso de falsos positivos do Watch pode ser preocupante:

A FDA [Food and Drug Administration, a “Anvisa dos EUA”] e a Apple precisam refletir com cuidado sobre as consequências do monitoramento, oferecido direto ao consumidor, da fibrilação atrial assintomática. Isso inclui uma sobreutilização de recursos do sistema de saúde devido aos resultados falsos positivos, e o uso de ferramentas de monitoramento por usuários nos quais essas ferramentas não foram devidamente testadas.

Até o momento, não há um consenso na medicina sobre a solidez das ferramentas de monitoramento do Apple Watch. A Maçã afirma, em todos os materiais de divulgação, que os recursos do relógio (como o medidor de frequência cardíaca, o ECG e o oxímetro) não substituem monitoramento profissional, e servem apenas para complementar a vida saudável do usuário, alertando-o sobre possíveis problemas antes que eles piorem — e, de fato, esses monitoramentos já salvaram diversas vidas, como comentamos periodicamente aqui no site.

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Ainda assim, se os falsos positivos de fato levarem a uma sobrecarga dos sistemas de saúde, esse é um outro problema que deve ser levado em conta. Vamos ver o que a Maçã e os usuários têm a dizer sobre isso — e como ele, talvez, pode ser mitigado.

via Cult of Mac

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