CEO do ProtonMail diz que Apple forçou app a oferecer compras internas Segundo ele, isso prejudica apps preocupados com a privacidade do usuário

ProtonMail no iPhone

O cofrinho com acusações de práticas monopolistas direcionadas à Apple está prestes a estourar, e a cada dia mais nomes do mundo da tecnologia acrescentam seus dois centavos. O caso mais recente é o do ProtonMail, aplicativo de emails criptografados que estreou na App Store já há muitos anos — e cujo criador/CEO1, Andy Yen, já desferiu críticas severas à Maçã anteriormente.

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Na mais nova polêmica, Yen afirmou ao The Verge que a Apple forçou a introdução de compras internas no ProtonMail, comparando as práticas da Maçã às de “uma máfia”. Segundo o executivo, a gigante de Cupertino não chega a causar problemas aos desenvolvedores enquanto eles não atingem um certo grau de sucesso, mas ao chegar a um determinado nível de downloads ou visibilidade, “eles chegam para lhe sacudir e tirar seu dinheiro”.

Mais especificamente, Yen afirmou que a existência do ProtonMail seguiu sem maiores intercorrências nos seus dois primeiros anos após o lançamento, em 2016. Em 2018, entretanto, a Maçã bateu à porta quando percebeu que o serviço tinha uma versão paga, que não era oferecida no aplicativo:

Nós não tínhamos uma versão paga na App Store, o app era gratuito para baixar. Não é um caso semelhante ao da Epic, onde você tinha um sistema de pagamento alternativo — no nosso caso, você simplesmente não podia pagar. Um belo dia, de repente, eles disseram que nós tínhamos de adicionar In-App Purchases para continuarmos na App Store. Eles viram algo no app que mencionava planos pagos, foram ao nosso site e viram que havia uma assinatura que podia ser adquirida, então voltaram e exigiram que adicionássemos as compras internas.

Segundo Yen, a equipe não teve outra escolha senão obedecer para salvar a empresa — para isso, entretanto, o valor da assinatura do ProtonMail encareceu em 26%, para que os desenvolvedores conseguissem manter o serviço, a infraestrutura e os empregados pagando a taxa de 30% cobrada pela Apple.

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O executivo criticou a Apple pela atitude, afirmando que boa parte dos desenvolvedores não têm uma margem de 30% para trabalhar. Segundo Yen, esse tipo de prática acaba sendo prejudicial à privacidade e segurança do consumidor — aspectos defendidos de forma tão apaixonada pela Apple — porque favorece gigantes que podem não estar tão preocupadas com esse tipo de coisa:

O Google se mantém vendendo seus dados para anunciantes de terceiros, que subsidiam os serviços que você utiliza de graça. Mas isso é muito ruim para a segurança do usuário porque essas empresas são incentivadas a invadir sua privacidade o máximo possível. A alternativa a isso é um modelo de assinaturas — nós temos uma porcentagem de usuários que pagam e é isso que nos sustenta. Isso faz com que nós tenhamos de nos submeter à taxa de 30%, mas os aplicativos baseados em anúncios não precisam pagar. Isso desencoraja modelos de negócios preocupados com a privacidade.

Yen também criticou, como vários antes dele, a posição da Apple como “juíza, júri e algoz”, notando que não há nenhum tipo de contestação ou processo quando a empresa nota alguma suposta irregularidade em um aplicativo ou serviço — ou o desenvolvedor obedece, ou é expulso da loja.

Vale notar que a Apple mudou as regras da App Store em setembro passado para permitir que apps de email (e de algumas outras categorias) tenham serviços pagos sem necessariamente oferecê-los no app. Yen afirmou que o ProtonMail deverá retirar a opção de assinatura pelo aplicativo em breve — mas, antes disso, a equipe testará a nova regra em um novo aplicativo, para certificar-se de que a Maçã não encrencará com a retirada.


Ícone do app ProtonMail - Encrypted Email

ProtonMail - Encrypted Email

de Proton Technologies AG

Compatível com iPadsCompatível com iPhones
Versão 1.12.3 (220.9 MB)
Requer o iOS 10.0 ou superior
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